Portugal ao Espelho

Elas estão em maioria na Saúde mas ainda mandam pouco

Elas estão em maioria na Saúde mas ainda mandam pouco

Número de mulheres a frequentar cursos de Medicina cresceu 340% em três décadas. Dominam em todas as profissões da Saúde mas "persistem desigualdades" na progressão e acesso às chefias.

Em 27 anos, o número de mulheres a frequentar cursos de Medicina cresceu 340%. As cerca de 1900 alunas matriculadas, em 1991, passaram a ser 8348, em 2018, mais do dobro do que os homens (4056). A estatística tratada pela Pordata é reveladora. Médicas, enfermeiras, dentistas, farmacêuticas, técnicas de diagnóstico e terapêutica e de reabilitação: elas são o género dominante nos cursos de saúde.

Do ensino para o exercício profissional, o salto faz-se na mesma proporção: são as mulheres que andam a tratar da saúde dos portugueses. A taxa de feminização global na Saúde é de 76%, bem acima da da Administração Pública (60%). O último relatório social do Ministério da Saúde (2017), indica ainda que 56% das mulheres que trabalham no Serviço Nacional de Saúde têm licenciatura ou mais, enquanto no universo masculino são 62%. Na formação, as diferenças tendem a esbater-se. E na prática?

desigualdades

"Deixou de haver barreiras no acesso ao ensino, mas as questões de género não desapareceram. Persistem as desigualdades dentro das profissões, na progressão nas carreiras e no acesso às hierarquias", resume Tiago Correia, sociólogo na área da saúde para as políticas, as organizações e as profissões de saúde e professor do ISCTE-IUL.

Para avaliar a presença das mulheres nos cargos relevantes dos hospitais, o JN analisou a composição dos conselhos de administração das Entidades Públicas Empresariais (EPE), disponível no portal do SNS. E constatou que, apesar de estarem em minoria nas profissões de saúde, os homens continuam a mandar mais. Na presidência dos conselhos de administração dos EPE há 25%de mulheres e os cargos de direção clínica são ocupados por 42% de médicas. Só no cargo de enfermeiro-diretor as mulheres estão em maioria (58%), embora ainda sem o peso que têm na profissão (83%).

Tiago Correia alerta para a necessidade de olhar para dentro das profissões, perceber por que razão "homens e mulheres com a mesma escolaridade e diferenciação não estão na mesma posição na carreira".

PUB

"A maternidade e o papel da mulher como cuidadora" são a resposta óbvia, mas o sociólogia identifica também "preconceitos de género", sem base científica, que obstaculizam o acesso a cargos de chefia. Resolve-se com uma fiscalização ativa e educação para a igualdade de género em todas as fases da vida, diz.

Taxas elevadas

É transversal a todas as profissões de saúde e a todo o Mundo, mas, em Portugal, a taxa de mulheres na Saúde é das mais altas, refere o sociológo Tiago Correia.

Mais ausências

Mais de 50% das ausências por proteção da parentalidade são dos enfermeiros, o que resulta deste ser um grupo profissional predominantemente feminino e com idade média baixa.

Cinco ministras

O país já soma cinco ministras da Saúde: Leonor Beleza, Maria de Belém, Manuela Arcanjo, Ana Jorge e Marta Temido.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG