Presidenciais 2016

"Podíamos apresentar um candidato ou uma candidata mais engraçadinha, seria fácil aumentar votação", diz Jerónimo

"Podíamos apresentar um candidato ou uma candidata mais engraçadinha, seria fácil aumentar votação", diz Jerónimo

Passava das 21 horas e mais de 70% dos votos estavam apurados, mas na sede de candidatura de Edgar Silva, apoiado pelo PCP, ainda se esperava por um volte-face que levasse a uma segunda volta.

A derrota só seria assumida meia hora depois pelo candidato e pelo secretário-geral Jerónimo de Sousa, ainda que de forma pouco explícita. Edgar Silva disse que os resultados, os piores de um candidato presidencial comunista, ficaram "aquém do valor desejável", Jerónimo admitiu que foram "aquém do valor do candidato".

Segundo Edgar Silva, o "objetivo central" da sua candidatura - que era o de "contribuir para a derrota do candidato" apoiado pela Direita - "não foi alcançado", mas considerou que essa responsabilidade "não dependeu exclusivamente" do PCP.

O candidato destacou ainda a votação que alcançou na sua terra natal, onde ficou em segundo lugar. "Na Madeira, milhares de pessoas pela primeira vez superaram o preconceito. Desde 1996 que sou candidato ao Parlamento regional e nós nunca conseguimos ultrapassar os sete mil votos e agora conseguimos mais de 20 mil votos", sublinhou.

Questionado sobre qual será o seu futuro, o deputado madeirense respondeu que irá continuar "a sonhar com coisas impossíveis" e "o que não faltam são tarefas para quem queira lutar pela transformação da vida e da história".

Jerónimo de Sousa, por seu lado, afastou a ideia de que os maus resultados tirem peso ao PCP no acordo de Esquerda que garante a governação do PS - por a candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda ter ficado à frente de Edgar Silva. "Podíamos apresentar um candidato ou uma candidata assim mais engraçadinha, um discurso populista, seria fácil aumentar votação", afirmou, numa crítica indireta a Marisa Matias.

"Uma caraterística que temos é que trabalhamos muito, lutamos muito e nem sempre isso resulta em aumento do número de votos. Não é por acaso que é um partido que tem muito mais influência social e política do que eleitoral", destacou ainda Jerónimo de Sousa.

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No PCP, prosseguiu, "os êxitos ou inêxitos não pertencem a este ou aquele", pois são assumidos "individual e coletivamente, ao contrário de outros que, à primeira dificuldade, desertam e abandonam".

O líder dos comunistas, que já tinha criticado o "panorama mediático desigual", não gostou de ver as televisões interromperem o seu discurso para passarem o de Passos Coelho em direto. "Estou hesitante em continuar porque estou a ver o Passos Coelho à minha frente" ironizou, referindo-se aos ecrãs colocadas na sala e arrancando fortes aplausos à audiência. "Estamos habituados, camaradas".

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