diário da campanha

Diário da campanha #8

Diário da campanha #8

Todos os dias, as impressões de Ana Martins e Paulo Pinto Mascarenhas sobre o dia-a-dia da campanha para as legislativas.

É um clássico nos jogos florais da esquerda portuguesa. Enquanto a direita, pragmática, se une em torno da possibilidade de exercer o poder, os diferentes partidos de esquerda debulham-se em métricas estéreis sobre quem é mais e menos de esquerda. Por essa razão, ganham ainda mais ressonância as palavras recentes de Helena Pato, presa em Caxias, torturada pela PIDE e fundadora do Movimento Democrático de Mulheres."Pelo fim do pesadelo, voto PS". Talvez não seja uma questão de votar útil, talvez antes seja uma questão de votar lógico. É que, no dia a seguir às eleições, pode haver gente tão de esquerda, mas tão de esquerda, que tenha acabado por eleger um governo de direita.

Ana Martins, docente e investigadora em Psicologia

Nos tempos revolucionários de 1974 falou-se da existência de uma "maioria silenciosa". Hoje, 41 anos depois, existe uma nova maioria silenciosa, que não tem acesso a colunas de opinião nem milita em partidos. Esta maioria silenciosa sofreu na pele as medidas de austeridade dos últimos quatro anos, mas sabe que foram necessárias para tirar o País do buraco em que se encontrava, porque já começa a sentir alguns dos efeitos da recuperação económica. Esta maioria, revelada nos números das sondagens, teme que Portugal volte para trás, para os anos de chumbo do PS no poder. Teme ainda mais um governo socialista aliado ao PCP ou ao BE. Esta maioria silenciosa recusa que Portugal se torne numa nova Grécia.

Paulo Pinto Mascarenhas, consultor de comunicação

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