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António Costa faz apelo à memória dos eleitores

António Costa faz apelo à memória dos eleitores

O secretário-geral do PS apelou à memória dos eleitores em relação à política de austeridade seguida nos últimos anos, num breve discurso após ter tido uma receção calorosa nas Caxinas de Vila do Conde.

Na zona piscatória de Vila do Conde, município que é um dos bastiões nacionais do PS, António Costa, após ter dado dezenas de abraços e beijos a populares, deixou uma mensagem contra a abstenção, mas também contra a "memória curta".

"É o voto de cada um de vós que decide o resultado eleitoral e no momento de escolherem devem lembrar-se daquilo que foi acontecendo. Que não nos esqueçamos dos filhos que acabaram os estudos mas tiveram de emigrar, dos idosos a quem cortaram as pensões e de todas as gerações que estão no desemprego. É altura de mudar", declarou o líder socialista.

Acompanhado pela sua mulher e pela filha, e tendo ao seu lado desde o início da manhã (que começou com uma ação na Trofa) a antiga campeã olímpica da maratona Rosa Mota e o cabeça de lista socialista no círculo eleitoral do Porto, Alexandre Quintanilha, António Costa referiu-se às mensagens de apoio que tem recebido ao longo da campanha para fazer um apelo contra a abstenção.

"A todos os que me pedem para que ganhe estas eleições, eu digo que com o meu voto no PS podem contar. Mas o meu voto não chega, é preciso o vosso voto, o voto dos vossos familiares e amigos", declarou.

Antes, o "histórico" autarca de Vila do Conde e antigo presidente da Associação Nacional dos Municípios Portugueses, Mário de Almeida, dramatizou o cenário de uma derrota eleitoral do PS a 4 de outubro.

Num concelho que tem vários jogadores de futebol em clubes com projeção internacional e cuja população gosta desta modalidade, Mário de Almeida tentou transmitir a ideia de que as eleições legislativas são uma final que só acontece de quatro em quatro anos e não uma jornada de domingo da I Liga. "No campeonato, pode perder-se numa semana e ganhar-se depois nas seguintes. Nas eleições legislativas, caso se perca, perde-se para quatro anos", vincou.

Mário de Almeida falou também nas consequências que, na sua perspetiva, haverá no país, sobretudo para os grupos sociais mais desfavorecidos, caso a maioria PSD/CDS vença as eleições. "O Governo sentir-se-á legitimado para castigar ainda mais o povo com austeridade", advogou, elevando o seu tom de voz.

Manhã começou na Trofa

A jornada de campanha do PS no distrito do Porto começou na Trofa, concelho com forte implantação do PSD, onde António Costa chegou à feira local com cerca de 45 minutos de atraso. Costa tinha à sua espera candidatos a deputados como Alberto Martins e Ana Paula Vitorino, o presidente da Federação do Porto, José Luís Carneiro, e a ex-presidente da Câmara Joana Lima.

Na feira da Trofa, o secretário-geral do PS teve uma receção mista, tendo recebido palavras de incentivo, mas, também, palavras de descrença em relação aos socialistas, ou em relação à política em geral.

O percurso pela feira foi marcado pela confusão nos estreitos corredores de passagem entre as bancas de venda - uma confusão sobretudo provocada por câmaras de televisão e repórteres fotográficos.

Uma senhora queixou-se ao secretário-geral do PS de ter sido substituída no seu emprego por um jovem sem experiência e uma outra mostrou-se zangada por António José Seguro já não ser líder socialista.

Perante queixas e reivindicações, Costa respondeu muitas vezes que o PS tem um conjunto de "compromissos escritos e com as contas feitas".

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