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Crise política tira Rui Rio da corrida a Belém

Crise política tira Rui Rio da corrida a Belém

O ex-presidente da Câmara do Porto não vai avançar com uma candidatura à Presidência da República, embora acredite que, no atual "quadro parlamentar instável", a sua candidatura "poderia ser a que melhores condições tinha de, no quadro do espaço ideológico moderado, conseguir garantir a indispensável estabilidade e sobriedade na política nacional".

Num artigo de opinião publicado, esta quinta-feira, no "Jornal de Notícias", Rui Rio sai de cena com críticas à decisão dos líderes do PSD e do CDS de darem liberdade de voto nas presidenciais de janeiro. E justifica-se dizendo que, caso avançasse, a sua candidatura "facilmente seria interpretada como divisionista, senão mesmo como desestabilizadora".

Rio diz que, "no contexto das candidaturas já apresentadas" - recorde-se que, à Direita, só Marcelo Rebelo de Sousa avançou - a sua candidatura seria a que teria "melhores condições" para "garantir a estabilidade política em Portugal". Mas isso "só fazia sentido se houvesse a mesma visão dos dois lados", diz, referindo-se ao facto de não ter tido o apoio dos líderes do PSD e CDS.

Rio considera "evidente" que, "sendo o novo quadro parlamentar um elemento potenciador de instabilidade política, o Palácio de Belém terá de ser, mais do que nunca, um sólido referencial de estabilidade. Se assim não for, se a Presidência for, também ela própria, um foco de perturbação e de permanente agitação, então poderemos estar a colocar seriamente em causa o futuro próximo de Portugal", disse, num aviso à navegação.

As reformas que Rio queria

Segundo o ex-autarca, o que o motivou a ponderar uma candidatura a Belém era "a urgente necessidade de se introduzirem profundas reformas no regime", citando a necessidade de revitalizar o sistema político, devolver a credibilidade do sistema de justiça, pugnar por uma Comunicação Social mais livre e responsável e promover uma real democratização da vida nacional. Contudo, entende que, no atual momento do país, a "magistratura de influência" do presidente está "notoriamente diminuída" para unir os partidos e a sociedade em torno desse projeto.

"Como conseguir impulsionar a Assembleia da República a debater, por exemplo, uma revisão constitucional, quando a instabilidade é de tal monta que, por si só, dificulta o entendimento em matérias bem mais fáceis de o conseguir?", escreveu, agradecendo a quem o ajudou neste projeto. "Num país profundamente centralizado como Portugal, lançar uma candidatura presidencial vencedora e nacionalmente reconhecida a partir de uma cidade que não a capital do país é uma tarefa muito próxima do impossível".