diário da campanha

Diário da campanha #10

Diário da campanha #10

Todos os dias, as impressões de Ana Martins e Paulo Pinto Mascarenhas sobre o dia-a-dia da campanha para as legislativas.

Pegue num povo que tenha vivido 40 anos de ditadura. Deixe a levedar 30 anos em democracia, até ao ponto de eles acharem que a política é sujidade. Deixe a marinar com baixos salários, vida dura e falta de espaço mental para pensar o país para lá dos dichotes em cafés. Leve ao forno durante quatro anos: corte-lhes pensões, salários e direitos muito para além do que era exigido. Ao lado, centrifugue o SNS, onde fazer um exame complementar de diagnóstico é considerado um luxo e onde os médicos passaram a ser contabilistas. Recheie o ensino privado, enquanto depena a escola pública. Adicione água a ferver à necessidade de acreditar que os sacrifícios não foram em vão. Polvilhe com falta de memória dos portugueses. Adorne com uns contos para assustar crianças, do tipo tínhamos os cofres vazios e agora estão cheios. Tudo isto pode ser uma receita para ganhar eleições - mas também é uma receita para o desastre.

Ana Martins, docente e investigadora em Psicologia

O líder do PS perguntou "quantos truques estão ainda por descobrir" em relação ao Governo. Isto a propósito da notícia, logo desmentida por Maria Luís Albuquerque, de que a ministra das Finanças tinha pedido em 2012 à Parvalorem para esconder prejuízos. Não convém que António Costa tome os portugueses por "parvos" e se esqueça que a empresa pública foi criada em 2010 pelo Governo de José Sócrates para gerir os créditos do BPN, nacionalizado pelo PS. A pergunta pode ser, aliás, devolvida aos socialistas: quantas mais senhoras cor-de-rosa e outros truques - como a da mãe que tão convenientemente subiu ao palco para se queixar da emigração do filho para a China - vão ser utilizados pelo PS até ao final da campanha?

Paulo Pinto Mascarenhas, consultor de comunicação