Legislativas 2015

Os 17 candidatos a Belém e os que falta conhecer

Os 17 candidatos a Belém e os que falta conhecer

A cerca de três meses do final do mandato do atual Presidente da República são já 17 os candidatos que anunciaram a intenção de entrar na corrida a Belém. Pelo caminho já ficaram Guterres, Santana Lopes e Rui Rio.

Ainda não foi formalizada qualquer candidatura junto do Tribunal Constitucional, o que pode acontecer até um mês antes das eleições e requer pelo menos 7500 assinaturas de apoiantes, mas são já 18 os candidatos conhecidos à presidência da República.

CANDIDATOS CONHECIDOS:

Henrique Neto: Foi o primeiro a anunciar a candidatura. Ex-deputado do PS e empresário, Henrique Neto, 78 anos, apresentou-se numa cerimónia no Padrão dos Descobrimentos, em Lisboa, a 25 de março. Pertencente a uma família ligada à indústria vidreira da Marinha Grande, é cofundador da empresa Iberomoldes.

Crítico dos governos socialistas de José Sócrates, no passado mês de janeiro Henrique Neto subscreveu o manifesto "Por uma democracia de qualidade", entregue ao Presidente da República, Cavaco Silva, e que pedia uma reforma do sistema eleitoral.

Orlando Cruz: É ex-militante do CDS, tem 62 anos, e apresenta-se como escritor. Nas autárquicas de 2013 concorreu pelo Partido Trabalhista Português à Câmara de Matosinhos, tendo obtido 0,68% dos votos, mas antes já se tinha candidatado também à autarquia do Porto.

Apresentou a candidatura à Presidência da República no dia 14 de abril, no Porto, a sua terceira, tendo garantido que desta vez vai até ao fim.

Paulo Morais: Antigo vice-presidente da câmara do Porto com os pelouros do Urbanismo, Ação Social e Habitação, durante o mandato de Rui Rio (PSD), de 2002 a 2005, Paulo Morais, 51 anos, notabilizou-se pelas posições anticorrupção. Pertence à associação cívica Transparência e Integridade e é professor universitário. Apresenta publicamente a sua candidatura a 18 de abril, no icónico café Piolho, no Porto.

Na apresentação da sua candidatura afirmou que as eleições se transformaram em "concursos para a escolha do maior mentiroso" e garantiu que se for eleito demitirá o Governo que não cumpra asa promessas eleitorais, tendo apontado como prioridades o combate à corrupção e a transparência das contas públicas.

Cândido Ferreira: Cândido Ferreira aproveitou o dia 25 de Abril para avançar a intenção de se candidatar à Presidência da República numa localidade do concelho de Cantanhede, distrito de Coimbra, onde nasceu. Perante cerca de 200 pessoas, o médico nefrologista defendeu a necessidade de acabar "com tanta exploração e tanta austeridade", e teceu críticas ao atual Presidente da República Cavaco Silva.

O antigo presidente da Federação de Leiria do PS disse que vai protagonizar uma "candidatura independente, do povo, com o povo e para o povo, para romper com a política tradicional e sem outras obediências que não sejam o respeito pela lei, pelos princípios e pelos valores" consagrados na Constituição.

António Sampaio da Nóvoa: O ex-reitor da Universidade de Lisboa, de 60 anos, apresentou sua candidatura a 29 de abril, no Teatro da Trindade, na capital. Nascido em Valença, no Minho, conta com o apoio dos três antigos Presidentes da República Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio, que estiveram presentes nas cerimónias de apresentação da candidatura em Lisboa ou do Porto.

A nível partidário, António Sampaio da Nóvoa conta, por enquanto, apenas com o apoio formal do partido Livre/Tempo de Avançar.

Castanheira Barros: Jorge Castanheira Barros é advogado e candidatou-se em 2010 à presidência do PSD. Apresentou a intenção de concorrer a Belém a 21 de maio, no auditório da reitoria da Universidade de Coimbra, onde se licenciou.

Castanheira Barros é natural do Porto, tem 63 anos, e já assumiu que se revê, "em alguns aspetos", no Bloco de Esquerda.

Paulo Freitas do Amaral: Eleito em 2009 presidente da junta de freguesia da Cruz Quebrada-Dafundo, em Oeiras, e atualmente consultor autárquico, Paulo Freitas do Amaral é o candidato anunciado mais jovem - tem 36 anos.

Primo de Diogo Freitas do Amaral (ex-líder do CDS, ex-vice-primeiro-ministro e ex-candidato a Belém), apresentou publicamente a candidatura a 30 de maio em Guimarães, invocando Vasco da Gama e D. Afonso Henriques para vincar que a capacidade de liderar e de vencer não se mede pela idade.

Graça Castanho: A docente universitária Graça Castanho anunciou a 30 de maio, em Ponta Delgada (ilha de S. Miguel, Açores), a pretensão de concorrer a Belém. A potencial candidata açoriana considera ser "urgente promover um exercício de unidade nacional, unindo as parcelas do território", porque "os Açores desconhecem a Madeira, a Madeira desconhece os Açores, os dois arquipélagos desconhecem o continente, que também desconhece os seus arquipélagos".

A concretizar-se esta candidatura, será a primeira vez no pós-25 de Abril que as eleições presidenciais podem vir a contar com um candidato oriundo dos Açores.

Paulo Borges: O fundador e antigo presidente do PAN (partido Pessoas-Animais-Natureza) anunciou no dia 20 de julho a intenção de se candidatar à Presidência da República, através de um comunicado, sob o desígnio de um movimento alternativo e apartidário mas que não rejeitará apoios.

Com uma candidatura sob o desígnio "Outro Portugal existe", Paulo Borges pretende "um Portugal alternativo, de pessoas que não ficam à espera que a política e a economia resolva tudo mas se organizam para fazer acontecer aquilo em que acreditam", um Portugal "marginal ao Portugal institucional". Remeteu um "lançamento formal" da candidatura para setembro ou outubro, ressalvando não estar dependente das eleições legislativas.

Jorge Sequeira: O psicólogo Jorge Sequeira apresentou a 23 de julho, em Vila Nova de Gaia, a sua candidatura à presidência da República, apontando como meta "devolver a confiança aos cidadãos", sublinhando que não está "preso" a nenhum partido.

Psicólogo, investigador, docente universitário e comentador político, como enumerou aos jornalistas, o candidato tem como lema "Portugal Somos Nós".

Manuela Gonzaga: A historiadora Manuela Gonzaga apresentou a 10 de agosto a intenção de entrar na corrida a Belém. O lema da candidatura é "liberdade incondicional" para todos, e conta com o apoio do partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN).

A candidatura foi apresentada na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, onde a também escritora e ex-jornalista é investigadora, especificamente no Centro de História d'Aquém e d'Além-Mar.

Maria de Belém Roseira: Maria de Belém Roseira, 66 anos, foi ministra da Saúde e ministra para a Igualdade durante os Governos chefiados por António Guterres, tendo sido eleita presidente do Partido Socialista em 2011, cargo que exerceu até 2014.

A 17 de agosto anunciou que ia candidatar-se às eleições presidenciais. O anúncio oficial foi feito esta terça-feira no Centro Cultural de Belém.

O histórico socialista e antigo candidato presidencial Manuel Alegre já declarou apoio a Maria de Belém, sublinhando que, "ao contrário do que alguns disseram, [esta candidatura] não divide, não fratura nem é redutora".

Edgar Silva: Edgar Silva, de 53 anos, foi padre católico, é membro do Comité Central do Partido Comunista Português e deputado na Assembleia Legislativa Regional da Madeira desde 1996.

A 8 de outubro, o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, anunciou que Edgar Silva será o candidato presidencial apoiado pelo partido, tendo acrescentado que "é para ir a votos" e se existir uma segunda volta haverá uma nova análise. A apresentação da candidatura de Edgar Silva será no dia 15 de outubro, em Lisboa, segundo anunciou o candidato.

Marcelo Rebelo de Sousa: A 5 de outubro, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou, no seu habitual espaço de comentário na TVI, que "está ponderado o que havia a ponderar" sobre uma eventual candidatura à Presidência da República.

Foi fundador do então PPD, em 1974, líder do PSD durante três anos, de 1996 e 1999, no pós-cavaquismo. Foi deputado à Assembleia Constituinte e também ministro da Presidência no final da década de 70. O professor de Direito é hoje membro do Conselho de Estado.

Sérgio Gave Fraga . Anunciou a sua canidatura no dia 14 de janeiro deste ano. "A minha candidatura nasce de um desejo legítimo de um cidadão solidário, que decidiu, a uma dada altura, perante a crise vivida no País que ama, que não podia ficar indiferente. Foi uma decisão minha e só minha!", diz este advogado de Cabreiro, Arcos de Valdevez, residente em Braga desde 1992.

João Franco, professor de Inglês sem colocação, residente em Mafra, 38 anos. Conta com apoio de amigos e da mulher.

Paulo Antão. É do Barreiro e tem 37 anos é mais um dos candidatos a Belém que, longe dos holofotes, está no terreno em plena conquista pelas 7500 assinaturas necessárias.

FORA DA CORRIDA A BELÉM

António Guterres: A 10 de abril, desfez as dúvidas, dizendo, numa entrevista à televisão Euronews, que não é "candidato a candidato". O antigo primeiro-ministro (1995-2001) e ex-secretário-geral do PS era o candidato natural da liderança de António Costa do partido, como já fora do seu antecessor, António José Seguro.

Guterres iniciou funções como o Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados em junho de 2005, foi reeleito em 2010 para um mandato que terminava em junho e foi prolongado, em fevereiro, até ao final deste ano.

Carvalho da Silva: Manuel Carvalho da Silva, 66 anos, liderou a CGTP-In durante 26 anos, entre 1986 e 2012, quando deixou o cargo de secretário-geral para Arménio Carlos. Foi militante comunista e é atualmente coordenador do Observatório sobre Crises e Alternativas.

Em entrevista à Antena 1, a 12 de março, o sindicalista afirmou que não é obcecado com uma candidatura presidencial, mas afirmou-se disponível concorrer em 2016. Porém, a 8 de maio, em entrevista à Lusa, colocou-se fora da corrida a Belém.

Pedro Santana Lopes : O ex-primeiro-ministro e antigo líder do PSD Pedro Santana Lopes excluiu-se do lote de presidenciáveis, encerrando um processo que o próprio abriu numa entrevista ao DN em janeiro.

Rui Rio: Num artigo de opinião publicado, no "Jornal de Notícias", Rui Rio sai de cena com críticas à decisão dos líderes do PSD e do CDS de darem liberdade de voto nas presidenciais de janeiro. E justifica-se dizendo que, caso avançasse, a sua candidatura "facilmente seria interpretada como divisionista, senão mesmo como desestabilizadora"

Alberto João Jardim: No mesmo dia, o ex-presidente do Governo Regional e do PSD/Madeira, Alberto João Jardim, anunciou que desistiu de apresentar uma candidatura às eleições Presidenciais e manifestou o seu apoio a Marcelo Rebelo de Sousa.

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