Legislativas 2015

Rui Rio poderá ser ministro num Governo com muita gente de saída

Rui Rio poderá ser ministro num Governo com muita gente de saída

Pedro Passos Coelho quer fechar a equipa do novo Executivo esta semana. Mais de metade da anterior formação será substituída e a grande surpresa nas aquisições poderá ser Rui Rio, que assim abdicaria da candidatura presidencial que nunca formalizou, a favor de Marcelo Rebelo de Sousa, asseguram, ao JN, várias pessoas próximas do primeiro-ministro.

Segunda-feira, o líder do PSD já esteve reunido com a Comissão Política Permanente do partido para analisar os resultados e com Paulo Portas para discutir uma solução de estabilidade; hoje, pelas 18 horas, será recebido pelo presidente da República, Cavaco Silva.

Dos 14 ministros atuais, há quatro que não transitam para a nova formação. Entre eles estão António Pires de Lima, ministro da Economia, que sempre afirmou que, independentemente do resultado das legislativas, no fim do mandato voltaria ao setor privado; e Miguel Poiares Maduro, ministro adjunto e do Desenvolvimento Regional, que anunciou a saída em julho, para regressar à carreira académica. Caso contrário, perderia o vínculo contratual com o Instituto Universitário Europeu de Florença, em Itália.

Também sai Paula Teixeira da Cruz, ministra da Justiça, que, assegura fonte próxima do PSD, "depois das polémicas, como a do Citius, não tem condições para continuar". E Anabela Rodrigues, da Administração Interna. "Foi uma escolha de recurso aquando da saída de Miguel Macedo", considera a fonte.

Na lista dos indecisos, mas com provável bilhete de saída, estão Paulo Macedo, ministro da Saúde, que já terá manifestado "vontade de sair"; Rui Machete, ministro dos Negócios Estrangeiros, que aparentemente tem a tutela mais disputada; e Nuno Crato, da Educação, pelas mesma razões de Teixeira da Cruz. "Um Governo de minoria precisa de ser politicamente forte, para negociar com a Oposição, e aí Crato não tem lugar".

A confirmarem-se estas saídas, apenas Maria Luís Albuquerque (Finanças), Moreira da Silva (Ambiente), Assunção Cristas (Agricultura) e Pedro Mota Soares (Solidariedade e Emprego) poderão manter-se nos respetivos ministérios. José Pedro Aguiar Branco (Defesa) deverá continuar no Governo, mas num lugar diferente. Fontes ligadas ao ministro revelam que o advogado quer transitar para os Negócios Estrangeiros, pasta que Paulo Portas também deseja recuperar. Sobretudo porque significaria resgatar para o seu domínio uma área económica importante: a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP ), que já tutelou e perdeu quando apresentou a demissão em 2013.

Portas perde peso na coligação

A tomada de posse do novo Governo só acontecerá depois de apurados os resultados eleitorais (a lei determina um prazo limite de dez dias), mas Passos quer chegar a entendimento com Portas "rapidamente" sobre os nomes a designar.

E é justamente nas aquisições para o novo Governo de coligação PSD/CDS-PP que podem residir as maiores surpresas. A começar por Rui Rio. Fonte do partido garante ao JN que o ex-presidente da Câmara do Porto já terá sido "informalmente desafiado" a integrar o novo Governo (para a Defesa ou para a Administração Interna) e que não o terá declinado. Contactado pelo JN, Rio recusou tecer comentários.

Apesar disso, o seu nome poderá ser um dos poucos a reunir consenso entre Passos e Portas. Depois, cada um deles terá os seus acólitos para nomear. "Passos Coelho gosta de agradecer as lealdades. Marco António Costa e Luís Montenegro hão de estar na lista de pessoas que vai querer premiar", antecipa um dirigente do partido.

O problema é que Portas segue pelo mesmo diapasão e "há muito tempo que tem vontade de lançar João Almeida, que considera a principal promessa do partido". O nome de Nuno Magalhães, líder da bancada parlamentar centrista, tem sido também equacionado para integrar o Governo. No entanto, o CDS tem um inconveniente. Perdeu 170 mil votos, o que significa menos 23,3%. Continua acima da CDU, mas muito abaixo do BE.

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