Presidenciais 2016

Marcelo à primeira, esquerda sai derrotada e Marisa surpreende

Marcelo à primeira, esquerda sai derrotada e Marisa surpreende

O professor de Direito, ex-líder do PSD e comentador político que, durante 15 anos, os portugueses se habituaram a ter aos domingos por companhia na televisão é o novo presidente da República.

Marcelo Rebelo de Sousa, 67 anos, venceu, este domingo, as eleições com 52% dos votos - teve 2,4 milhões de votos, menos 363 mil do que Cavaco na primeira eleição, em 2006 - e ganhou em todos os distritos do país, embora metade não tenha ido votar. A Esquerda, dividida, não conseguiu o seu principal objetivo: forçar uma segunda volta. E foi a grande derrotada desta eleição, à exceção de Marisa Matias, candidata apoiada pelo BE, que ficou em terceiro lugar. Teve o melhor resultado de sempre para o partido (10,13%, 469 mil votos) , superando em muito Francisco Louçã, em 2006 (5,32%).

Marcelo quis fazer uma campanha distante dos partidos que o apoiaram - PSD e CDS-PP - e ontem só compareceu na Faculdade de Direito de Lisboa, local onde estudou e ensinou nos últimos 50 anos e que escolheu para a noite eleitoral, quando os votos estavam quase todos contados e os adversários tinham já reconhecido a sua vitória. Falou em recuperar a cultura do compromisso e do consenso, disse que os próximos cinco anos serão "um tempo de recuperação e de futuro". E quis deixar uma mensagem de esperança: "É hora de refazer Portugal".

À Esquerda, o desempenho dos dois candidatos da área socialista ajudou a consagrar Marcelo à primeira. Sampaio da Nóvoa, que tinha o apoio de três ex-presidentes e de grande parte do Governo de António Costa, conseguiu 22% e mais de um milhão de votos (superou mesmo o resultado de Manuel Alegre em 2011, quando teve o apoio do PS e do BE). Mas a votação em Maria de Belém, ex-presidente do PS, foi desastrosa: ficou-se pelo 4.º lugar (4,2%), atrás de Marisa Matias, e com apenas 196 mil votos.

"Uma hecatombe", reconheceu Pedro Silva Pereira, eurodeputado do PS, na RTP, apontando o facto de "não ter surgido na área do PS uma candidatura suficientemente forte" - o desejado era António Guterres - como justificação para a vitória do candidato da Direita.

Vera Jardim, porta-voz da candidatura de Maria de Belém, apontou o dedo ao PS e ao Governo, por ter preferido estar ao lado do ex-reitor. E Manuel Alegre, sem apontar culpas, também foi duro para com a opção de Costa de não apoiar ninguém: "É uma derrota de toda a Esquerda e é também uma derrota do PS. O PS não teve candidato".

O madeirense Edgar Silva, escolhido pelo PCP para travar esta luta, também teve um dos piores resultados de sempre. Ficou-se pelos 3,9%, com apenas 182 mil votos, só mais 30 mil do que Vitorino Silva, vulgarmente conhecido por Tino de Rans. O ex-militante do PS ficou em 6.º, com 150 mil votos. Paulo de Morais não foi além dos 2,15% e Henrique Neto dos 0,8%.

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