Bruxelas

Elisa Ferreira avisa que economia portuguesa corre "risco de estagnação"

Elisa Ferreira avisa que economia portuguesa corre "risco de estagnação"

A comissária europeia da Coesão e Reformas, Elisa Ferreira, alertou para o "risco de estagnação" que as economias de países como Portugal enfrentam.

A socialista pediu que a União Europeia (UE) trace "estratégias mais sofisticadas" para potenciar o crescimento, considerando ainda "imperativo" que os países aproveitem bem os fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

"Precisamos de um conjunto de incentivos e de uma estratégia clara que nos permita sair desta armadilha de rendimento médio", afirmou Elisa Ferreira, esta quarta-feira, em Bruxelas, durante a apresentação do 8.º Relatório sobre a Coesão.

Segundo a comissária, Portugal e outros territórios da UE, como "o sul de Itália, a Grécia ou partes de Espanha", estão "a estagnar ou a ficar para trás". Uma das explicações para esta disparidade são os "níveis de rendimento muito baixos" de que estes países do partiram quando se juntaram à UE, referiu.

De então para cá, prosseguiu Elisa Ferreira, todos eles "beneficiaram de melhorias de infraestruturas", como estradas ou redes sanitárias, que ajudaram o PIB a subir até cerca de 75% da média da União. No entanto, aí chegados, Portugal e os países do Sul da UE - ao contrário dos do Centro e Leste, que continuam a convergir - viram o seu ritmo de crescimento abrandar ou mesmo estagnar.

Elisa Ferreira deixou o alerta: "Quando essa fase de investimento primário se conclui, é preciso voltarmos a pensar. A partir daí, temos de adotar estratégias mais sofisticadas".

PRR é "grande oportunidade" para reduzir diferenças

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Para a comissária, esta questão poderá ter implicações para o futuro da UE: "Poderemos, enquanto europeus, viver com uma convergência limitada? Poderá o modelo europeu contrariar uma armadilha de desenvolvimento em que as regiões pobres convergem até um certo ponto [com as mais ricas] mas, depois, deixam de o fazer?", indagou.

De modo a mitigar estas diferenças, Elisa Ferreira sugeriu que os Estados aproveitem a "grande oportunidade" dada pelos fundos europeus. "Temos uma quantidade de fundos sem precedentes e é imperativo que eles reforcem a coesão económica, social e territorial", frisou. Aludindo à pandemia, avisou que as disparidades internas "tendem a agravar-se depois de qualquer crise".

Entre as possíveis soluções, Elisa Ferreira destacou a necessidade de se identificarem pólos industriais que ofereçam perspetivas de futuro aos Estados-membros em risco de estagnação. A transferência de conhecimentos e práticas dos centros de inovação para as empresas e a melhoria das administrações públicas - tanto a nível nacional como local - foram outras das medidas preconizadas.

Apesar do atraso dos países do Sul, o relatório sublinha que a política de coesão tem ajudado a reduzir as disparidades territoriais e sociais entre as regiões. Os apoios dados durante a pandemia também são enaltecidos.

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