Saúde

Em dois anos abriram apenas 14 camas de cuidados paliativos

Em dois anos abriram apenas 14 camas de cuidados paliativos

O presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos afirmou, esta manhã de terça-feira no Parlamento, que nos últimos dois anos abriram apenas 14 camas de cuidados paliativos. O país precisa de 800 a mil camas e tem um total de 382.

"Falta tudo. Está muito pouco feito e há muito por fazer", referiu Duarte Soares, presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos (APCP), na Comissão de Saúde.

Duarte Soares assinalou que, segundo recomendações da Associação Europeia de Cuidados Paliativos, Portugal necessita de 800 a mil camas de cuidados paliativos e abriram apenas 14 nos últimos dois anos.

As carências nos Cuidados Paliativos Domiciliários também são enormes. Segundo a mesma associação europeia, o país precisa de 100 equipas, mas existem apenas 19. "Os factos falam por si", realçou Duarte Soares.

O presidente da APCP manifestou ainda dúvidas sobre o funcionamento das equipas intra-hospitalares de cuidados paliativos. "Muitas estão nomeadas, mas não sabemos se funcionam, não sabemos se os elementos das equipas têm horas dedicadas para o efeito", referiu o responsável, adiantando que há 68 médicos com competência em Medicina Paliativa no país, mas entre 30 a 40 não estão a trabalhar nas áreas para as quais se especializaram.

O presidente da APCP considerou que, face ao envelhecimento populacional, os cuidados paliativos são a "maior urgência clínica e social das próximas décadas para o país".

"Precisamos de mais camas, mais equipas na comunidade, melhor relacionamento com a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, precisamos de mais hospitais centrais com resposta", resumiu Duarte Soares, notando que, por exemplo, o Hospital de Santa Maria, em Lisboa, "não tem qualquer resposta de Unidade de Cuidados Paliativos".

Na sequência destas declarações, o Centro Hospitalar Lisboa Norte, a que pertence o Hospital de Santa Maria, esclareceu ao JN que tem uma equipa intra-hospitalar de Cuidados Paliativos que funciona em local próprio e com profissionais afetos a tempo inteiro (quatro enfermeiros, duas médicas a tempo inteiro e um médico a tempo parcial, uma psicóloga e dois assistentes operacionais).

O CHLN acrescentou ainda que até ao final do ano deverá estar em funcionamento o projeto para o internamento da unidade de cuidados paliativos, que inclui 14 camas, e para o qual já foi nomeado um grupo coordenador e aprovado o projeto de adaptação dos espaços.

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