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Em férias, cantinas das escolas serviram 10 mil refeições por dia

Em férias, cantinas das escolas serviram 10 mil refeições por dia

Apoio é, em parte, assegurado pelas autarquias: há quem tenha alargado o benefício aos alunos do escalão B e quem entregue refeições para um adulto.

Magda Vitorino, de 34 anos, desloca-se todos os dias ao Jardim de Infância de Canedo, na Pampilhosa, Mealhada, para levantar o almoço e o lanche de duas das três filhas. Uma tem três anos, outra 11 anos. Ambas são beneficiárias do escalão A da ação social escolar. Como Magda, há milhares de famílias portuguesas que estão a usufruir deste apoio, em parte assegurado pelas autarquias, que está a continuar mesmo durante o período das férias da Páscoa.

A procura tem aumentado desde que as escolas fecharam portas. Na primeira semana, só estavam a ser servidas, a nível nacional, 5500 refeições por dia. Esta semana aumentaram para 10 mil/dia, revelou ontem o Ministério da Educação.

"É uma boa ajuda porque conseguimos poupar um bocadinho. Até porque temos mais gastos com a alimentação, por termos as meninas o dia todo em casa", diz Magda Vitorino, desempregada e ainda mãe de uma criança de nove meses.

Também entregam os TPC

Na Mealhada, foram cerca de 50 os alunos que requisitaram o apoio da Câmara, que também se disponibiliza para fazer chegar aos alunos que não têm computador, nem acesso à internet, os trabalhos enviados pelos professores. E, depois de feitos, o seu regresso aos docentes.

Santa Maria da Feira já entregou 158 refeições, segundo fonte da Câmara. Vila Nova de Gaia, entre a semana passada e esta, um total de 1918 refeições, além de ter oferecido cabazes às famílias mais carenciadas.

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As autarquias dizem que se têm desdobrado em esforços para que não falte apoio a nenhuma criança. Mesmo que os gastos com a alimentação, em alguns casos, esteja a ser superior ao que era antes de as escolas encerrarem.

"Estamos a pagar 5,12 euros, já com IVA, por cada refeição, quando antes disto era dois euros e pouco. Desde o dia 17, já entregámos 1837 refeições, tanto a alunos do escalão A como do B. Decidimos estender o apoio também ao B, por entendermos que são famílias também com rendimentos muito baixos", explicou Maria João Macau, vereadora da Câmara Municipal do Seixal. "Estamos a entregar também os leites que tínhamos para não passarem da validade", acrescentou.

O método de entrega das refeições varia, consoante as escolas. Na maior parte, funciona em regime "take away". Há determinado número de estabelecimentos de ensino, em cada agrupamento, que foram referenciados como pontos de recolha e os pais vão lá buscar as refeições, acondicionadas em caixas herméticas. Noutros casos, são consumidas nos refeitórios escolares. E noutros, ainda, levadas diretamente a casa dos alunos.

Alimentos para pais

Na maior parte das escolas, a refeição é fornecida apenas ao aluno subsidiário do escalão A. No entanto, há autarquias, como Sintra, que optaram por fornecer também alimentação a mais um elemento do agregado familiar. Desde 16 de março, apoia 1027 anos, com um total de 22 900 refeições entregues. "Nestes tempos conturbados que vivemos, estes são números que nos alentam e nos fazem avançar", sublinhou Basílio Horta, presidente da Câmara, frisando que tomou a iniciativa "com a noção de que estas refeições fariam a diferença na vida de muitas famílias". Magda, na Mealhada, confirma: "Nesta altura, toda a ajuda faz falta".

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