Convenção Nacional

Emprego é a "prioridade das prioridades", diz Catarina Martins

Emprego é a "prioridade das prioridades", diz Catarina Martins

A coordenadora bloquista, Catarina Martins, considerou este domingo que o emprego é a "prioridade das prioridades" para sair da crise, acusando o Governo de ter esquecido o seu compromisso de mais escalões de IRS, tema em que o BE insiste.

"Se a urgência é o emprego - e sabemos que é - cuidar da qualidade do emprego é a primeira medida para sair da crise. Justiça na resposta à crise, que terá de ser também justiça fiscal. O Governo parece ter já abandonado o compromisso do seu próprio programa de mais escalões de IRS. Pela nossa parte, não esquecemos", avisou, no encerramento da XII Convenção Nacional do BE.

Numa espécie de "caderno de encargos" para as negociações orçamentais que hão de vir e deixando claro que o emprego é a "prioridade das prioridades" para sair da crise, Catarina Martins recordou que o Governo socialista recusou todos os compromissos propostos pelos bloquistas no Orçamento do Estado para 2021, no qual o BE votou contra.

"Não só a saúde, o emprego, a proteção social e o controlo financeiro são agora ainda mais importantes depois do sofrimento com a pandemia social que se segue à pandemia viral, como o tempo que vivemos acrescenta outra exigência à política portuguesa: não desperdiçar recursos e multiplicar o investimento em três prioridades para criar novos empregos: habitação, clima e cuidados sociais", antecipou.

Em relação ao emprego, "o que existe e o que tem de ser criado", Catarina Martins insistiu na urgência de "leis laborais fortes, para que o investimento se traduza em mais salário".

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"Sem mexer nas leis laborais, o esforço de recuperação pode bem ir parar aos bolsos dos mesmos que se esquecem de tudo nas comissões de inquérito, mas que se unem sempre para reclamar contra leis do trabalho fortes. O investimento que tem de ser feito, não se pode traduzir no salário mínimo como regra, na exploração do trabalho temporário ou dos 3Euro à hora das estufas de Odemira", avisou.

A dirigente e deputada do BE disse que, esta semana, no Parlamento, o partido já avançou com uma "legislação forte para responsabilizar os donos das explorações agrícolas ou das obras, bem como os donos das terras, pelos crimes contra os trabalhadores", avisando que é só o começo.

Sobre o tema da justiça fiscal, para a líder bloquista é preciso "aliviar quem ganha menos, pedir a justa parte a quem mais ganha".

"Vamos ouvir de tudo: que não há fortunas, que são as vossas manias, que no melhor dos casos os ladrões são pilha-galinhas e os poderosos uns pés descalços. Não foi o que se viu no Novo Banco, há quem peça e gaste 500 milhões como nós tomamos um café e, ainda por cima, diga que somos nós que temos que pagar a conta", atirou.

Numa alusão recente ao presidente da Promovalor, Luís Filipe Vieira, na comissão de inquérito ao Novo Banco, Catarina Martins puxou da ironia.

"Em Portugal, é mais fácil encontrar uma agulha no palheiro de um grande devedor, do que um milionário que pague os seus impostos", disse.

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