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Empresas não usaram apoios para contratar profissionais qualificados

Empresas não usaram apoios para contratar profissionais qualificados

As empresas portuguesas não utilizaram os incentivos disponibilizados, através de fundos comunitários, para a contratação de profissionais altamente qualificados, disse, esta terça-feira, a ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, no âmbito do debate "O futuro da Europa e os Jovens: sustentabilidade, ação climática, transformação digital e emprego", que teve lugar na Faculdade de Economia da Universidade do Porto.

"No início do Portugal 2020, os avisos [dos concursos] ficavam desertos. As empresas não concorriam para ter 50% de apoio, durante três anos, para contratar, por exemplo, um doutorado, em que o valor de referência eram 3400 euros. Ou um licenciado, em que o valor de referência era muito acima dos 2000 euros. E porquê? Porque achavam que eram valores muito elevados. Portanto, temos também um problema de cultura nas empresas e temos de enfrentá-lo", afirmou a governante, lembrando que o país tem "os jovens mais qualificados".

"Os apoios diretos que temos começam pela questão mais básica, que é apoiar as empresas a contratar pessoas qualificadas. Temos programas a que chamamos de apoio à contratação de recursos humanos altamente qualificados. Apoiamos empresas diretamente, para contratar jovens. Não são estágios. São contratos", vincou Ana Abrunhosa, sublinhando que "os valores de referência [dos ordenados] são elevados".

A diretora da Direção Geral de Políticas Regional, da Coesão e Urbana da Comissão Europeia, Sofia Alves, lembrou que, ao abrigo do programa REACT-EU, de resposta à crise gerada pela pandemia de covid-19, "Portugal recebeu 2,1 mil milhões de euros, e 51% foi para apoiar pequenas e médias empresas".
João Dolores, da Sonae, considerou, contudo, que "deviam ser contemplados mais fundos para as grandes empresas". "Devemos procurar bons projetos, com ambição, que tanto podem existir em pequenas e médias empresas como em grandes empresas", defendeu o responsável, que frisou que "esta é a geração mais qualificada de sempre".

No entanto, o funcionário da Sonae alerta que há "uma mudança muito rápida de paradigma nas profissões", e "as pessoas vão ter de requalificar-se ao longo da vida de trabalho". "Sabemos que, na Europa em particular, há muitas profissões que em breve vão deixar de existir e as pessoas vão ter de ser requalificadas", referiu o responsável, adiantando que a Sonae está a participar num projeto, a nível europeu, que reúne as maiores empresas de base industrial, e cujo "compromisso é requalificar um milhão de pessoas até 2025 e cinco milhões de pessoas até 2030". Em Portugal, o projeto está a ser desenvolvido em parceria com o Instituto do Emprego e Formação Profissional.

Sofia Alves realçou, ainda, a importância de que "a política de coesão seja aplicada em parceria". "Já fiz esta pergunta várias vezes: mas porque é que os fundos comunitários também não são decididos pelas pessoas, pelo menos uma parte deles, a parte que é para os projetos mais locais?", questionou, referindo que há "muito pouco envolvimento dos parceiros locais e da sociedade civil na construção dos projetos e das estratégias locais e regionais".

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