Legislativas 2022

Enfermeira impedida de votar em Matosinhos porque o voto já lá estava

Enfermeira impedida de votar em Matosinhos porque o voto já lá estava

Eleitora inscreveu-se no voto antecipado em mobilidade no domingo passado, mas contraiu covid-19 e não pôde sair de casa. Esta manhã ficou estupefacta quando lhe disseram que já tinha votado. CNE diz que "há alguns casos" semelhantes e nem todos têm a ver com o voto antecipado.

Eva Garcia Marques Maria foi uma das primeiras pessoas a chegar, esta manhã de domingo, à Escola Maria Manuela de Sá, em S. Mamede de Infesta, Matosinhos. Enfermeira no Hospital de S. João, estava escalada para o turno da manhã, que começava às 8 horas, e queria atrasar-se o mínimo possível.

Foi a primeira a ser atendida na secção de voto número 9. Entregou o cartão de cidadão e foi surpreendida com o resposta: "a senhora não pode votar porque já votou".

Eva nem queria acreditar. Tinha pedido o voto antecipado em mobilidade, mas ficou infetada com covid-19 e não pôde sair de casa. Tentou inscrever-se para o voto dos confinados ao domicílio, nos dias 25 e 26 de janeiro, mas não conseguiu. A ​​​​​​​plataforma referia que, na impossibilidade de votar antecipadamente, devia fazê-lo no dia 30. Mas a deslocação às urnas foi em vão.

Perante a estupefação, os elementos da mesa mostraram-lhe o envelope selado com o seu nome e número de identificação. "Não faço ideia o que está lá dentro e não consigo perceber como tal aconteceu", contou ao Jornal de Notícias.

Após um impasse sobre como resolver o problema, a enfermeira preencheu uma reclamação dirigida à Comissão Nacional de Eleições onde relatou o sucedido.

"Aborrecida", foi trabalhar com a dúvida: "Quem terá votado por mim?"

PUB

O JN contactou a Comissão Nacional de Eleições (CNE) para perceber se ocorreram incidentes semelhantes neste domingo. O porta-voz da CNE, João Machado, disse "há alguns casos destes", em que os eleitores chegam à mesa e o voto já está descarregado, e nem todos têm a ver com o voto antecipado. Há casos, por exemplo, em que as pessoas têm exatamente o mesmo nome que a seguinte nos cadernos e quando tentam votar, o voto já lá está.

Em situações destas, os eleitores devem lavrar um protesto perante a mesa de voto, ou seja, apresentar reclamação. Depois da análise do processo pós-eleitoral, serão notificados das conclusões, explicou João Machado.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG