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Enfermeiros desfilam pela profissão, mas rejeitam que seja um protesto

Enfermeiros desfilam pela profissão, mas rejeitam que seja um protesto

Desiludidos com a desvalorização da profissão verificada nos últimos anos, os enfermeiros desfilam esta sexta-feira em Lisboa, vestidos de branco e com cravos da mesma cor na mão, pela dignificação da sua carreira. A "marcha branca" demarca-se das lutas sindicais dos últimos meses e da crispação com a tutela.

Na informação que têm divulgado pelas redes sociais, a organização - que pertence ao Movimento Nacional de Enfermeiros (MNEnf) - explica que, neste momento, "a enfermagem e os enfermeiros sofrem duros ataques de vários setores da sociedade". No entanto, é pedido aos participantes que não usem símbolos sindicais (como faixas ou bandeiras) e que se abstenham de fazer reivindicações durante o trajeto.

"O objetivo é a dignificação e a valorização da profissão. Não tem reivindicações laborais, isso deixamos para os sindicatos", adiantou ao JN Sónia Viegas que integra a organização.

O MNEef, que se classifica como um movimento apartidário e independente das estruturas sindicais, escolheu o Dia da Mulher para realizar esta iniciativa por a enfermagem ser uma profissão ainda "muito ligada" ao sexo feminino, explicou a mesma fonte. Além de homenagear os enfermeiros e os seus familiares, a marcha é também um tributo a Florence Nightingale considerada "a mãe" desta atividade.

A marcha branca é apoiada pela Ordem dos Enfermeiros, mas também conta com a participação das estruturas sindicais. A Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros (ASPE) marcou para este dia uma greve nacional, de forma a permitir que mais profissionais participem.

"Não temos um número certo, mas esperamos uma grande afluência porque vêm enfermeiros de todo o país" disse Sónia Viegas. A organização disponibilizou alguns autocarros para o transporte gratuito em várias zonas do país.

A marcha tem início pelas 15 horas, no parque da Bela Vista, e deve chegar a partir das 16 horas à entrada do Hospital de Santa Maria, em Lisboa. O percurso, prosseguiu Sónia Viegas, foi escolhido de forma a evitar a passagem por sedes de órgãos de soberania ou ministérios. O único edifício pelo qual fazem questão de passar é pela sede da Ordem dos Enfermeiros, na Avenida Almirante Gago Coutinho.

Esta não é a primeira iniciativa do movimento. Nas últimas semanas o MNEnf tem realizado vigílias por todo o país. A 23 de fevereiro, por exemplo, houve concentrações em algumas das principais cidades. Em Lisboa, o local escolhido foi os jardins frente ao Palácio de Belém, residência oficial do presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa.

O movimento não tem um membro que seja o seu rosto. Dizem não querer protagonismo e procuram a mobilização dos colegas pela dignificação da carreira e pela união da classe. Por isso, consideram que o MNEnf "são todos os enfermeiros".O MNEnf surgiu em agosto de 2017, com a intenção de mobilizar todos os colegas. E garantem que estiveram na base da organização das manifestações e outras formas de protesto que ocorreram no mês seguinte.

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