Trabalho

Enfermeiros fazem queixa do Governo à presidente da Comissão Europeia

Enfermeiros fazem queixa do Governo à presidente da Comissão Europeia

O Sindicato Independente de Todos os Enfermeiros Unidos (SITEU) escreveu uma carta aberta dirigida à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, queixando-se dos "atropelos laborais perpetrados pelo Governo português contra os enfermeiros". Dizem que só no ano passado houve 1300 a emigrar.

O governo é o principal visado na carta pela forma como conduziu o combate à pandemia e não investe na saúde. O SITEU afirma que os "enfermeiros portugueses são dos que auferem os salários mais baixos nos países da união Europeia" e reivindica apenas uma carreira de enfermeiros, um maior investimento na saúde, e a reforma aos 60 anos.

Em matéria financeira, "para o combate a esta pandemia, foram anunciadas medidas de compensação" mínimas. A "falta de reconhecimento e valorização do nosso trabalho promove o êxodo, sendo que em plena pandemia, emigraram cerca de 1300 enfermeiros" e "estão mais de 1800 enfermeiros com contratos por tempo certo, para fazer face à pandemia da covid-19 que não viram nem verão o seu contrato renovado". "O governo português não respeita e não cumpre as leis publicadas em Diário da Républica", há uma "destruição claríssima da Carreira Especial de Enfermagem", lê-se na carta.

Gorete Pimentel, presidente da direção do SITEU, pretende "aproveitar a presença da presidente da Comissão Europeia e dos chefes de Estado e de Governo da União Europeia [na cimeira social do Porto] para denunciar os atropelos que os enfermeiros portugueses têm sofrido nos últimos anos e que se agravaram com a pandemia da covid-19". A manifestação vai decorrer esta sexta-feira na Estação de São Bento, no Porto.

Na carta aberta, os enfermeiros insurgem-se contra o "desinvestimento brutal por parte do governo português nas instituições públicas de saúde" e dão conta de um "aumento brutal de instituições de saúde privadas, que sobrevivem à custa do financiamento público". "A saúde passou a ser um negócio de milhões", dizem.

Os enfermeiros reivindicam uma só carreira - a Carreira Especial de Enfermagem - que dizem estar a ser "destruída desde o ano de 2009, quando foram criadas as EPEs [entidades públicas empresariais]". A presidente do sindicato acusa "o Governo de maquilhar os problemas dos enfermeiros e de tomar medidas deliberadamente "coxas" para que depois, no terreno, sejam implementadas à "vontade do freguês"."

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