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Enfermeiros mantêm greve de quatro dias na próxima semana

Enfermeiros mantêm greve de quatro dias na próxima semana

O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses mantém a greve de quatro dias na próxima semana, depois de o Ministério da Saúde ter imposto esta quinta-feira unilateralmente o "encerramento abrupto" do processo negocial, disse à Lusa o presidente do SEP.

A CNESE, comissão negocial constituída pelo SEP e pelo Sindicato dos Enfermeiros da Madeira, reuniu-se esta quinta-feira com o Governo para discutir a carreira de enfermagem, num encontro em que o Ministério da Saúde "fechou as negociações", segundo José Carlos Martins.

Em relação à carreira, o Governo explicitou que "já cumpriu aquilo que era o compromisso com a enfermagem", de "consagrar na carreira a categoria de enfermeiro especialista", e manteve a sua proposta praticamente inalterada, referiu.

O dirigente sindical salientou que a proposta de carreira apresentada "está profundamente longe das justas reivindicações dos enfermeiros e sindicatos", não havendo "qualquer espaço" para discutir ou negociar a aposentação mais cedo e a compensação por trabalhos por turno.

Também do ponto de vista da grelha salarial "não traduz qualquer valorização remuneratória", sublinhou.

"É neste quadro que a SEP mantém a greve decretada para os dias 22, 23, 24, 25 de janeiro", disse o presidente do SEP.

Esta greve não está relacionada com a chamada "greve cirúrgica", convocada pela Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros (ASPE) e pelo Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (Sindepor), que hoje mantêm negociações com o executivo da parte da tarde.

Estas duas estruturas têm prevista uma nova greve em vários blocos operatórios do país até ao final de fevereiro, tendo reunido um fundo de mais de 420 mil euros numa plataforma 'online' para financiar a paralisação, caso não haja acordo hoje com o Governo.

Em relação à paralisação já confirmada pela CNESE, tem como objetivo exigir que "sejam contados os pontos para trás aos enfermeiros em funções públicas e CIT [contratos individuais de trabalho] que foram reposicionados nos 1.200 euros" e protestar contra a "imposição unilateral de encerramento do processo negocial da carreira".

Segundo o dirigente sindical, é "uma greve geral nacional para todos os enfermeiros" e que será feita por regiões.

No dia 22 de janeiro decorrerá na região de saúde de Lisboa e vale do Tejo, no dia seguinte na região Centro, no dia 24 na região norte e no último dia nas regiões do Algarve, Alentejo e Açores.

Ministra diz que reivindicações custariam mais de 500 milhões de euros

A ministra da Saúde revelou hoje que as reivindicações dos enfermeiros, se fossem todas atendidas, custariam mais de 500 milhões de euros em efeitos remuneratórios, "um caminho" que Marta Temido considera que não é possível percorrer na totalidade.

Marta Temido esteve hoje na reunião do grupo parlamentar do PS, na Assembleia da República, no mesmo dia em que o Governo e os sindicatos de enfermeiros retomam as negociações.

"O caminho que nós já andamos é um caminho que importa 200 milhões de euros só para esta profissão. O caminho que agora nos pedem vai para além dos 500 milhões de euros em termos de efeito remuneratório se todas as reivindicações fossem atendidas", contabilizou, acrescentando que "não é possível fazê-lo todo"

Segundo a ministra da saúde, não é possível atender a todas as reivindicações "por várias razões", a primeira das quais o facto de a primeira obrigação de quem governa ser "com a satisfação das necessidades dos cidadãos".

"A ministra da Saúde e o Governo não são nem ministra da Saúde dos profissionais de Saúde nem Governo apenas das reivindicações profissionais, têm que em primeira mão satisfazer o interesse público", concretizou.

A necessidade de "garantir equidade entre o tratamento das várias profissões e sustentabilidade a longo prazo" são as outras razões apontadas por Marta Temido.

"Não podemos fazer escolhas que ultrapassem essas balizas. Dentro destas balizas, muita disponibilidade para continuar a conversar, para nos aproximarmos, para fazer aquilo que os portugueses esperam de nós", disse ainda.

Questionada sobre as reuniões de hoje de manhã, a ministra da Saúde escusou-se a falar do "conteúdo específico" das mesmas uma vez que para a tarde estão marcadas outras.

"Só no final do dia poderemos dar nota sobre qual é a conclusão do posicionamento sobre estes temas", remeteu.

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