Obstetrícia

Enfermeiros querem fazer mais partos e seguir gravidezes

Enfermeiros querem fazer mais partos e seguir gravidezes

A Ordem dos Enfermeiros propôs à Direção-Geral da Saúde e à ministra Marta Temido a criação de "Centros de Parto Normal", junto aos serviços de Obstetrícia, como forma de rentabilizar os recursos existentes e assegurar a acessibilidade das grávidas numa altura em que os hospitais se debatem com graves carências de obstetras.

Seguindo recomendações da Organização Mundial da Saúde, emanadas em 1996, e seguidas pela maioria dos países da União Europeia, o Colégio da Especialidade de Enfermagem em Saúde Materna e Obstétrica (CEESMO) da Ordem dos Enfermeiros defende que estes enfermeiros especialistas "podem lidar com a maioria das gestações com segurança e têm as habilidades para encaminhar situações complexas a um médico".

Na prática, como explicou ao JN Irene Cerejeira, presidente do CEESMO, estes especialistas já fazem os partos ditos normais (de baixo risco, sem indução ou necessidade de instrumentos), mas não podem fazer outros procedimentos como a admissão da grávida ao internamento, dar alta ou prescrever a medicação como o ferro ou o ácido fólico. Por isso, dizem, é necessário organizar o serviço e a assistência periparto para rentabilizar os recursos.

Menos médicos

"Os Hospitais de Apoio Perinatal e os Hospitais de Apoio Perinatal Diferenciados não necessitam ter o mesmo número de médicos para cada 1000 ou 1200 partos. Os hospitais que possuam centros de parto normal poderão ter menos médicos de apoio à sala de partos", defende a presidente do colégio, na proposta apresentada.

A bastonária da OE complementa: "se o país transpusesse a diretiva da OMS na totalidade, e só não se fez porque os médicos nunca quiseram, baixava o rácio de obstetras necessário nos hospitais periféricos e passava-os para os hospitais centrais, onde se seguem as gravidezes mais complexas". Por outro lado, realçou ao JN Ana Rita Cavaco, tal permitiria libertar os médicos de família da maior parte das consultas de gravidez.

"Este modelo seria, por isso, o garante da continuidade dos cuidados, entre o pré-natal e o pós-natal (por exemplo, na assistência na amamentação e recuperação pós-parto)", defende a Ordem dos Enfermeiros, lembrando que Portugal dispõe de "um número significativo" de enfermeiros EESMO, técnica e cientificamente reconhecidos.
Além de ter sido enviada à DGS e à tutela, a proposta também já chegou ao conhecimento do coordenador da comissão criada para assegurar a resposta das urgências de obstetrícia e blocos de parto.

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