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Entre despedidas e votações, último plenário da legislatura durou quatro horas e meia

Entre despedidas e votações, último plenário da legislatura durou quatro horas e meia

A última sessão plenária da XIV legislatura, antes da dissolução do parlamento, estendeu-se, esta sexta-feira, por mais de quatro horas, entre despedidas dos deputados, nomeadamente do presidente da Assembleia da República, e as votações finais.

O plenário teve início pelas 10.30 horas, meia hora mais tarde do que o habitual, decisão tomada esta quinta-feira em conferência de líderes, uma vez que as comissões parlamentares ainda estavam a concluir iniciativas, a tempo de serem votadas esta sexta-feira - o que fez com que o guião de votações crescesse durante a madrugada.

Depois de um período de debate, alguns deputados que não voltarão ao hemiciclo na próxima legislatura subiram ao púlpito para declarações de despedida. O primeiro foi o socialista Jorge Lacão, seguindo-se os deputados do CDS-PP Telmo Correia, João Almeida e Cecília Meireles - que não vão fazer parte das listas a deputados nas eleições antecipadas de 30 de janeiro.

No final da sessão, já depois das votações regimentais, foi a vez de Eduardo Ferro Rodrigues se despedir da Assembleia da República, da qual foi presidente durante seis anos, desde 2015. "Nesta última sessão plenária da Assembleia da República da XIV Legislatura - a última sessão plenária a que presido - pese embora tenhamos ainda pela frente algumas reuniões da Comissão Permanente -, permitam-me que vos dirija alguma palavras", começou por dizer. O discurso emocionado do deputado socialista terminou com um "e está encerrada a sessão, que foi longa".

A 'maratona' final de votações, que se iniciou pelas 12.21 horas, ocupou cerca de metade do tempo total do plenário, com um guião principal com mais de 60 iniciativas e ainda sete guiões suplementares, todos apresentados pelo PAN exceto um do PCP.

Este período regimental contou com alguns dos apartes habituais: uma vez pelo vice-presidente da Mesa Fernando Negrão, que comentou que as votações estavam "demoradas", mas também por Ferro Rodrigues que, perante um pedido dos deputados para votar algumas iniciativas ponto a ponto, retorquiu "não vamos votar isto caso a caso senão nunca mais saímos daqui".

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O final da sessão, já pelas 15 horas, ficou ainda marcado por vários abraços entre deputados, nomeadamente do CDS-PP, com João Almeida a dar um abraço forte ao liberal João Cotrim Figueiredo ou Cecília Meireles a receber abraços dos bloquistas José Manuel Pureza e Mariana Mortágua, entre outros. Alguns deputados chegaram até a tirar algumas fotografias no hemiciclo antes da saída final.

A dissolução da Assembleia da República terá de ser decretada entre 1 e 5 de dezembro, entre 60 e 55 dias antes das eleições legislativas.

O Presidente da República convocou eleições legislativas antecipadas para 30 janeiro de 2022 na sequência do "chumbo" do Orçamento do Estado do próximo ano, no parlamento, em 27 de outubro.

O Orçamento teve apenas o voto favorável do PS e os votos contra das bancadas do PCP, BE e PEV, além dos deputados da direita, PSD, CDS, Iniciativa Liberal e Chega. O PAN e as duas deputadas não inscritas abstiveram-se.

A perda do apoio parlamentar no Orçamento do Estado de 2022 foi um dos motivos invocados por Marcelo Rebelo de Sousa para justificar a dissolução do parlamento e a antecipação das eleições.

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