Lacerda Sales

Escalas de Obstetrícia para agosto não estão todas preenchidas

Escalas de Obstetrícia para agosto não estão todas preenchidas

O Secretário de Estado Adjunto e da Saúde revelou, esta segunda-feira, que as escalas de agosto para os serviços de Urgência de Obstetrícia e Ginecologia não estão todas preenchidas. Lacerda Sales recordou que, para combater os constrangimentos num​​ curto prazo, o Governo aprovou um diploma para valorizar do trabalho suplementar e já reuniu com as administrações hospitalares para esclarecer dúvidas sobre o novo regime de pagamento das horas extraordinárias. A proposta de revisão da rede de referenciação deverá estar concluída no final de setembro.

Elencando as medidas adotadas pelo Governo para dar resposta aos constrangimentos nas urgências do Serviço Nacional de Saúde (SNS), Lacerda Sales recordou a aprovação do regime de pagamento do trabalho suplementar e revelou que o Governo reuniu com os presidentes de Conselhos de Administração dos hospitais do país para "esclarecer dúvidas" sobre o novo diploma. O regime prevê o pagamento aos médicos das urgências entre 50 a 70 euros e, em alguns casos, até 90 euros.

Ainda assim, revelou Lacerda Sales, as escalas de agosto ainda não estão todas preenchidas. "Aqui chegados, sabemos que ainda temos muito que fazer, e que, neste momento, infelizmente não temos as escalas de agosto todas preenchidas, mas não vamos desistir de encontrar as melhores soluções para que se continue a nascer bem", disse o governante, admitindo que "estes problemas não são de hoje".

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"O SNS está disponível, como sempre esteve, para dar uma resposta às grávidas. Temos um SNS de excelência, que funciona em rede e com capacidade para se reorganizar", vincou o governante, salientando que o problema atual "exige uma reposta imediata", mas também uma resposta futura", "com uma reestruturação mais profunda".

Por sua vez, a secretária de Estado da Saúde, Maria de Fátima Fonseca, lembrou que o diploma aprovado pelo Governo é "uma solução de curto prazo para atender às circunstâncias". Visa colocar mais profissionais de forma estável no serviço de urgência porque "permite aos conselhos de administração contratar profissionais para reforçar as equipas de urgência", bem como "valorizar o trabalho no serviço de urgência". "Isto é feito aumentando o trabalho suplementar dos mapas de pessoal", frisou Maria de Fátima Fonseca.

De acordo com a governante, o regime de ajudas de custo também foi reduzido para 30 quilómetros, de forma a potenciar "a vontade dos trabalhadores em trabalhar em mais do que uma unidade do SNS". A aplicação do diploma será acompanhada pelo Governo, mês após mês.

"Estamos certos de que a efetiva progressão na aplicação do diploma, as respostas serão consolidadas, conseguiremos mobilizar mais profissionais e teremos capacidade crescentemente de conferir maior previsibilidade na organização dos serviços de urgência", afirmou Maria de Fátima Fonseca.

Proposta de revisão da rede só no final de setembro

Já o coordenador da Comissão de Acompanhamento da Resposta em Urgência de Ginecologia/Obstetrícia e Bloco de Partos, em conferência de imprensa, traçou um diagnóstico sobre os serviços de urgência de Obstetrícia. Portugal conta com "equipas médicas muito desfalcadas e com médias etárias muito elevadas" em alguns hospitais, enfrenta a "perda gradual da atratividade da carreira médica que condicionou a saída de muitos profissionais para o privado, para o estrangeiro e para a prestação de serviços" e o "excesso de atendimento nas urgências de obstetrícia e ginecologia que condicionam o funcionamento de consultas ou do bloco operatório dos serviços".

"Estamos, de facto, num momento muito sensível da história da Obstetrícia e Ginecologia em Portugal", referiu o médico, esclarecendo que, no país, existem 826 especialistas e 281 internos.

Diogo Ayres de Campos destacou a necessidade de "reavaliar as grelhas salariais dos médicos", de forma a "equilibrar o setor público e o setor privado" ​​​​​​. É ainda "necessário criar a rede de referenciação do SNS, de forma a definir os serviços que cada hospital pode prestar à população e as suas implicações" e "incluir a remodelação dos serviços de obstetrícia e ginecologia no Plano de Recuperação e Resiliência". A proposta da comissão para a revisão da rede de referenciação deverá estar concluída no final de setembro.

Diogo Ayres de Campos deixou ainda um apelo aos colegas. "Eu sei que são muitos os colegas que já se têm oferecido para realizar horas extraordinárias durante os meses de férias, impedindo que existam contingências adicionais, nas escalas de urgência de muitos hospitais, mas gostaria de apelar a todos nós, que acreditamos verdadeiramente na medicina pública, a um esforço adicional para manter os nossos serviços de urgência abertos durante os meses verão, dando tranquilidade às populações, para que não seja necessário recorrer a outros hospitais", disse o médico.

"Estamos num momento decisivo para as nossas instituições e não podemos assistir continuamente à degradação dos nossos serviços sem fazer nada para o contrariar. Chegou a altura de nos pormos do lado das soluções para encarar com esperança o nosso futuro profissional", concluiu.

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