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Escola de Enfermagem do Minho em greve até 23 de junho

Escola de Enfermagem do Minho em greve até 23 de junho

Os professores da Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Minho (UM) vão entrar em greve à supervisão de estágios, de 6 de fevereiro até 23 de junho. Em risco pode ficar a avaliação dos estágios no final do semestre.

Os docentes querem evitar uma situação de rutura, mas rejeitam continuar a supervisionar estágios nas unidades de saúde, onde acabam por ter de prestar cuidados aos doentes, sem qualquer seguro.

O pré-aviso entregue pelo Sindicato Nacional do Ensino Superior (Snesup) abrange a paralisação de 6 de fevereiro a 23 de junho, das 8 às 22 horas, sempre que aos docentes for exigido o acompanhamento dos alunos durante 7 a 8 horas consecutivas numa unidades hospitalar. O Snesup garante que a escola da UM é a única que exige aos professores esse acompanhamento prolongado. Resultado: acabam por prestar cuidados de saúde aos doentes sem terem seguro da universidade ou do hospital para o fazerem.

"E se acontecer algum erro como haverá responsabilização?" - a dúvida deontológica há muito incomodava os docentes, garante João Macedo da Escola Superior de Enfermagem da UM mas desde abril de 2016 um parecer jurídico, pedido pelo Snesup, concluiu que a prática é ilegal. Desde então, Snesup e docentes tentam reverter a situação. "Um ano inteiro a marcar reuniões sempre adiadas", critica o presidente do Sindicato, Gonçalo Velho. Sindicato e docentes classificam a situação de "promíscua".

"A Universidade do Minho não faz coisas ilegais. É uma prática usada há muito tempo. Estamos a avaliar o procedimento e a perceber o que se passa nas outras escolas", reagiu o reitor da UM, c, manifestando-se "surpreendido" com a convocação do protesto.

Outro motivo para a paralisação é a "grave crise orgânica" que a escola atravessa, denunciam.

"Neste momento, todos os órgãos, do conselho científico, ao pedagógico ou Técnico-Científico funcionam sem quórum porque a maioria dos docentes pediram a demissão", explicou João Macedo. Num ato eleitoral, três elementos compareceram para votar apesar de estarem de baixa prolongada. O mesmo aconteceu na eleição para a presidência da escola, que foi contestada e anulada pelo reitor, António Cunha, por considerar esses votos "ilegítimos". "Os professores consideraram então que os restantes atos eleitorais também estavam feridos de legitimidade e mais de dois terços pediram a demissão dos cargos", sintetizou.

"A situação será resolvida dentro da escola", defende António Cunha. O reitor considera que "todos os órgãos da escola estão a funcionar dentro dos quadros legais e regulamentar".