Educação

Escolas do Norte destacam-se em prémios tecnológicos

Escolas do Norte destacam-se em prémios tecnológicos

A aplicação "MyOwn", que pretende facilitar o encontro de peças de roupa e outros objetos esquecidos nos perdidos e achados, através de uma etiqueta que permite a identificação do seu dono, ganhou o primeiro lugar do programa "Apps for Good", que pretende incentivar a elaboração de aplicações tecnológicas para smartphones e tablets nas escolas.

Os responsáveis por este feito foram os alunos do ensino básico da Escola Secundária Camilo Castelo Branco, de Vila Nova Famalicão. Os alunos do secundário da Escola Secundária Paços de Ferreira também conquistaram o primeiro lugar com o projeto "RestauArte", que pretende ser um canal facilitador da comunicação entre os profissionais do restauro e os clientes, tendo como objetivo a sustentabilidade, através do incremento do comércio de objetos restaurados, reduzindo o consumo de recursos. As escolas do norte do país tiveram um lugar de destaque no pódio.

A final da 7ª edição do programa "Apps for Good" decorreu no passado dia 29 de setembro na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, onde foram apresentadas as 22 soluções tecnológicas desenvolvidas por crianças e jovens desde o ensino básico ao ensino secundário envolvidos nesta iniciativa.

Onze prémios, traduzidos em equipamentos tecnológicos, distinguiram as melhores ideias, tendo os primeiros lugares do básico e secundário sido atribuídos a escolas do norte do país. A elaboração de aplicações tecnológicas para smartphones e tablets desde a primeira etapa de criação da ideia, protótipo, design do produto até à escolha de modelo de negócio e marketing, foi o desafio lançado aos alunos e aos seus professores.

Consciência ecológica

Organizado pela CDI Portugal, organização não governamental de inclusão e inovação social e digital, em parceria com a Direção-Geral da Educação, o programa educativo e tecnológico internacional foi realizado pela primeira vez em Portugal, no ano de 2015.

Todas as soluções tecnológicas apresentadas tiveram em conta os 17 objetivos de desenvolvimento sustentável das Nações Unidas, tendo em vista sensibilizar os jovens para o tema da sustentabilidade, pois em edições anteriores notou-se que detinham "pouca informação sobre o assunto", disse João Baracho, diretor executivo do CDI Portugal, em declarações ao JN.

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Várias foram as aplicações que, nesta edição, demonstraram a consciência ecológica dos alunos, como foi o caso da app "Eco Benefit" da Escola Básica Irmãos Passos, de Guifões, Matosinhos, que é dirigida à recolha de resíduos e da app "4Planet" da Escola Secundária Camilo Castelo Branco de Vila Nova de Famalicão, que venceram o segundo e terceiro lugar do ensino básico, respetivamente.

A Escola Secundária Quinta do Marquês, de Oeiras, apostou na aplicação "UniAcess" direcionada à entrada no ensino superior, questão que muito está presente na vida dos estudantes do secundário. E a Escola de Novas Tecnologias dos Açores investiu na "SafeShop" que quer aumentar a segurança das pessoas ao fazerem compras em espaços comerciais, informando por exemplo sobre a lotação do espaço.

Nesta 7ª edição, 170 equipas participaram, mas só 22 chegaram à final. Os vencedores foram selecionados pensando de modo "equitativo", para não gerar desvantagens entre os alunos de diferentes idades, já que em competição estavam tanto o ensino básico como o secundário, afirmou João Baracho. Dos 11 prémios atribuídos houve primeiro, segundo e terceiro lugar, em cada nível de ensino.

Outras categorias

Existiram também outras categorias de prémios, como a "Jovem Aluna.PT", da qual saiu vencedora a aluna Evina Pimenta, o "prémio tecnológico", ganho pela Escola secundária da Maia, o "prémio do público", o prémio "Future Up: GreeenTasks" atribuído à Escola Básica N.1 Saboia dedicado ao ambiente e que teve direito a ser desenvolvido profissionalmente, assim como o prémio Cooler Planet: "Movel4You". Esta última foi feita pelos alunos da Escola Secundária Paços de Ferreira no Estabelecimento Prisional do Vale do Sousa e também está relacionada com mobiliário, pela criação de uma plataforma de fornecedores/vendedores, que simplifica a sua compra e a venda online.

Este prémio em particular teve "um valor acrescentado", pois o "impacto no estabelecimento prisional foi grande", os alunos "foram vistos como heróis, dando lhes motivação", ficou evidente para eles que a tecnologia pode abrir-lhes portas, segundo o diretor executivo do CDI.

O programa "Apps for Good" pretende apostar na evolução do modelo educativo e na formação diferenciada de professores . O sistema educativo poderá evoluir com a ligação do aluno com a realidade económica, estabelecendo contacto entre este e os especialistas, empresas, hospitais, etc. "A tecnologia não é um fim, mas um meio", não é necessário que todos os envolvidos no projeto venham a trabalhar na área de tecnologia, porém a tecnologia deve ser vista como uma ferramenta de suporte fundamental nas suas vidas, reforçou.

A mudança reside, por outro lado, no lugar do professor como "líder" para "facilitador". Os professores têm de "deixar de ser os sabe tudo", porque às vezes os alunos sabem tanto ou mais que estes, acrescentou João Baracho.

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