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Escolas em Portugal fecharam mais dias durante a pandemia

Escolas em Portugal fecharam mais dias durante a pandemia

Do Pré-Escolar ao 9.º ano, Portugal fechou mais dias as escolas durante a pandemia do que a média dos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico). As escolas do 3.º ciclo foram as que mais dias estiveram sem ensino presencial, entre março de 2020 e maio de 2021: 97 dias.

Em média, entre os dados de 30 países da OCDE, os alunos do Pré-Escolar perderam 28% dos dias de aulas presenciais e os do Secundário mais de 56%. Os dias de fecho variaram entre os países, não correspondendo aos índices de infeção por covid-19, mas regra geral à idade dos alunos: quanto mais velhos, menos dias presenciais, tendo Portugal seguido esta tendência, exceto no Secundário, onde os alunos, por exemplo, no ano passado regressaram às escolas no 3.º período para prepararem os exames.

Nos relatórios "Eduation at a Glance" e "The State of Global Education - 18 months into the pandemic" divulgados esta quinta-feira pela OCDE, também é sublinhado que os países com menores níveis de desempenho no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), em 2018, foram os que fecharam as escolas durante mais dias. Caso, por exemplo, do México, Colômbia ou Costa Rica. Assim, lê-se no documento sobre o impacto da pandemia, "espera-se que a crise não apenas amplie as desigualdades educacionais dentro dos países, mas também exacerbe as disparidades de desempenho entre eles".

O impacto da pandemia no ensino foi generalizado, atingiu especialmente de forma mais gravosa os alunos com maiores dificuldades na aprendizagem e oriundos de níveis socioeconómicos mais baixos. O diretor do departamento da Educação da OCDE, Andreas Schleicher, alerta que os sistemas de ensino têm de ter uma forte infraestrutura digital, para que possam ser desenvolvidas, por exemplo, "sistemas de tutoria inteligentes que podem apoiar a aquisição individualizada de conhecimentos". Outra "lição da pandemia", frisa no relatório sobre o impacto de 18 meses de pandemia, é que as Tecnologias de Informação e Comunicação têm de integrar "todos os cursos de formação de professores".

Em Portugal, os Jardins de Infância fecharam no ano passado durante 44 dias (a média da OCDE) e 25 dias este ano, até maio (a média da OCDE foi de 11 dias). As escolas de 1.º ciclo fecharam, entre março de 2020 e maio, 87 dias e as do 3.º ciclo, 97 dias (sendo a média da OCDE 78 e 92 dias respetivamente). Só a Suécia nunca fechou as escolas do Pré-Escolar e do Básico durante estes 18 meses, tendo só tomado essa decisão para o Secundário: 69 dias em 2020 (mais do que em Portugal) e 10 este ano. De resto, o número de dias de fecho diminuiu em 2021 em todos os ciclos. Espanha, por exemplo, fechou as escolas do Pré-Escolar ao secundário durante 45 dias no ano passado e zero este ano. Dinamarca, Alemanha, Suíça, Coreia, Finlândia, França, Bélgica, Holanda, Noruega ou Luxemburgo também fecharam as escolas menos dias que Portugal.

Aulas online não compensam presenciais

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As aulas online foram o regime seguido para compensar o fecho das escolas. Seis países - Portugal, México, Turquia e Áustria, Israel e Costa Rica - reportaram à OCDE, lê-se no relatório, que um dia de ensino à distância não equivale ao mesmo tempo de aulas presenciais. A maioria dos países tomaram medidas para minimizar os impactos da pandemia e o consequente agravamento das disparidades, nomeadamente entre contextos socieconómicos.

Em 22 países, incluindo Portugal, foram criados programas de distribuição de computadores que apoiaram os alunos no acesso online. A possibilidade de alunos desfavorecidos assistirem às aulas online nas escolas foi aplicada por 29 países, incluindo Portugal, que tal como um grupo de outros países alterou o calendário letivo, aprovou ajustes nos exames do Secundário, reforçou o número de professores nas escolas, integrando docentes e funcionários no grupo prioritário da vacinação. As escolas portuguesas são ainda sublinhadas pela capacidade de terem assegurado através dos professores e com o apoio de autarquias, forças de segurança e CTT, uma rede que entregou materiais e manteve o contato permanente com as famílias e alunos.

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