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Escolha de Rita Rato para Museu do Aljube gera polémica

Escolha de Rita Rato para Museu do Aljube gera polémica

A nomeação de Rita Rato, ex-deputada do PCP, para diretora do Museu do Aljube - Resistência e Liberdade, em Lisboa, está a gerar muita polémica.

O Conselho Internacional de Museus e a Associação Portuguesa de Museologia consideraram que a antiga deputada "não tem o perfil indicado para o cargo". A historiadora Irene Pimentel sugere que tenha existido "um critério político" na seleção.

A Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural (EGEAC), que anunciou a escolha esta terça-feira, em resposta escrita ao JN, diz que "a candidata selecionada defendeu uma visão integrada para o museu, incluindo uma proposta de programação relacionada com temáticas de liberdades contemporâneas, como as questões de género ou a inclusão social, e destacou-se numa segunda ronda de entrevistas nessa abordagem múltipla".

A EGEAC não explica, porém, se a candidata reunia os requisitos exigidos para o lugar, nem reage às críticas que têm sido feitas nos últimos dias à escolha. O ex-diretor do Museu do Aljube e membro do júri deste concurso, Luís Farinha, também não adianta mais. "Por razões institucionais (nem já pertenço à empresa), não tenho nada a acrescentar às explicações que vieram a público", avança ao JN.

Esta quinta-feira, em declarações à Lusa, tanto a presidente do comité português do Conselho Internacional de Museus (ICOM-Portugal), Maria de Jesus Monge, como o presidente da Associação Portuguesa de Museologia, João Neto, mostraram-se surpreendidos com a escolha, e consideraram que a antiga deputada "não tem o perfil indicado para o cargo", quer ao nível da formação, quer de experiência prática museológica.

Para a presidente do ICOM-Portugal, "formação na área, e perfil profissional são essenciais para o cargo de direção de um museu, que precisa de conhecer as condições do meio, e deter competências técnicas que vão fazer falta". "A pessoa selecionada não tem nenhuma experiência que a capacite nem formação adequada que a recomende para aquele lugar", sublinhou ainda Maria de Jesus Monge.

Em declarações ao JN, a historiadora Irene Pimentel partilha a mesma opinião. "Pediam alguém com formação superior em História, Política e Cultura e experiência museológica e a candidata escolhida não preenche estes requisitos", critica. Além disso, diz ainda, "um dos motivos da escolha final, segundo a EGEAC, terá sido a apresentação de um plano de trabalhos muito bom, mas no concurso não está lá nenhum pedido de apresentação de um plano de trabalho". "É pedida uma carta de intenções e o currículo", explica.

Irene Pimentel conhece duas das três candidatas que foram à fase final da entrevista e garante ainda que "não estiveram em igualdade de circunstâncias com Rita Rato". "Disseram-me que foi uma performance, nada lhes foi perguntado e sentiram que as despacharam", revela. "Nos concursos públicos as pessoas deviam ser escolhidas em igualdades de circunstâncias e com as mesmas oportunidades e sobretudo quando têm os requisitos todos para o cargo", diz ainda.

A historiadora garante que não tem "nada contra" a antiga deputada, cujo trabalho na Assembleia República, diz, "até acompanhei e achei interessante", mas sugere que haja um critério político na escolha. "Não se deve ser discriminado por se ser militante ao ponto de não se poder concorrer a determinados cargos, assim como não se deve ser beneficiado por se ser militante. Penso que aqui beneficiou", acredita.

"O que me chocou mais ainda é que a EGEAC podia não ter aberto concurso, como fez relativamente ao anterior diretor. Estamos a viver uma situação trágica de pandemia, em que muita gente está desempregada, e acho que deveríamos usar esta crise para melhorar e ser mais transparentes em tudo, nomeadamente nos concursos públicos", apela.

O JN tentou contatar Rita Rato, mas sem sucesso até ao momento.

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