Sociedade Civil

Além do sol, há ondas de Cultura à solta pelas ruas da Caparica

Além do sol, há ondas de Cultura à solta pelas ruas da Caparica

Fundada oficialmente em 2012, a Associação Gandaia trouxe à Costa de Caparica uma dinâmica cultural que até aí era totalmente inexistente. A vontade de mudar este panorama levou um conjunto de residentes a organizarem-se de forma a proporcionarem atividades que despertassem o sentido de comunidade, o espírito associativo e o debate de ideia.

Na biblioteca instalada na acolhedora sede da Rua Vitorino José da Silva, uma antiga clínica em pleno centro da cidade, Ricardo Salomão, atual presidente, apresenta ao JN Urbano o vasto leque de ofertas. "Todas as semanas temos um conjunto de tertúlias, um coro com mais de 20 pessoas, um grupo de teatro amador e até um cineclube", explica, acrescentando que a associação conta com um auditório num centro comercial da cidade.

A aposta na participação e na valorização cultural da população é outro dos cartões de visita. "Promovemos aulas de viola e cavaquinho, já organizámos um curso de alfabetização, ciclos de cinema ao ar livre no verão, temos bibliotecas móveis espalhadas pela cidade e uma série de outras iniciativas programadas, como um festival de jazz, embora tudo esteja agora dependente da evolução da pandemia ", observa Ricardo Salomão, salientando que na Gandaia o lema é: "Fazer cultura não é para assistir, é para participar".

Diversificar é também outra das características da associação, que atualmente conta com cerca de 150 sócios. Foi por isso que, quando a Gandaia promoveu cursos de línguas, optou por dois idiomas fora do comum nas ofertas de outras escolas: o italiano e o holandês.

Para poder manter as ofertas, a Gandaia cobra aos participantes nestas atividades verbas simbólicas, que podem ir dos cinco aos dez euros, e conta com um apoio anual da Câmara de Almada. "Escasso", segundo o presidente. "Temos, inclusive, um jornal, que é bimestral, que sobrevive da publicidade e a Câmara nem sequer aprovou ainda o pagamento de um anúncio", lamenta.

E, até pelo facto da sede do concelho ser rica em ofertas culturais, os dirigentes da Gandaia lamentam o "esquecimento crónico" a que a Costa de Caparica tem sido votada.

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"É incrível que nem um skate parque exista, algo comum em localidades balneares como a nossa", sublinha Ricardo Salomão. "Almada é uma cidade intrinsecamente associativa e há pergaminhos culturais a defender", observa o também professor universitário, para quem o futuro da Gandaia é uma incógnita.

"A pandemia obrigou a parar muita coisa, apesar de cumprirmos todas as regras sanitárias", sublinha, concluindo que "vai levar algum tempo a recuperar toda a dinâmica anterior".

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