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"Almofadas do coração" para mulheres com cancro

"Almofadas do coração" para mulheres com cancro

No Clube Veritas, a funcionar no Centro Paroquial e Social da Vera Cruz, em Aveiro, há três anos, as voluntárias costuram "almofadas do coração e outros objetos para pessoas doentes.

Missão número um: promover o envelhecimento ativo. Missão número dois: fazer almofadas, em forma de coração, para melhorar o conforto de mulheres mastectomizadas. São esses dois dos objetivos da oficina de costura do Clube Veritas, do Centro Paroquial e Social da Vera Cruz, em Aveiro, que arrancou, há três anos, com o projeto "Almofadas do Coração". Todas as semanas, cerca de uma dezena de mulheres, com idades acima dos 60 anos, junta-se para dar algo de si a quem está a lutar contra uma doença. E, ao mesmo tempo, para colorir os próprios dias.

"Estou sempre ansiosa que chegue o dia para sair de casa e vir para aqui. Fico mais bem-disposta", conta Orminda Távora, de 77 anos, uma das costureiras que, com amor, vão dando forma e vida às mais de 200 almofadas que o clube já costurou. "É como eu. Vivo sozinha com o meu gato. Ao ter a obrigatoriedade de sair de casa e vir para aqui, até me obrigo a cuidar mais de mim e da minha higiene pessoal, por exemplo. Além disso, sinto-me útil", sublinha Maria Odete Pinto, 74 anos.

Envelhecer a ajudar os outros parece ser uma fórmula de viver mais feliz. Talvez por isso, a oficina de costura do Clube Veritas, coordenado por Júlia Melo, seja uma das atividades que os utentes mais frequentam, apesar de haver outras, de exercício físico e de estímulo e desenvolvimento cognitivo. Três vezes por semana, as tardes têm uma rotina diferente.

Foi Virgínia Machado, de 63 anos e nacionalidade brasileira, quem sugeriu o início do "Almofadas do Coração", quando chegou a Aveiro e procurou um projeto de voluntariado que pudesse integrar. "O formato em coração da almofada é ergonómico e auxilia as mulheres que foram mastectomizadas, para lhes diminuir o desconforto e dar descanso, pois encaixam na axila", explica Virgínia.

Com tecidos (obrigatoriamente de algodão) e todos os restantes materiais oferecidos, as almofadas chegam às doentes, depois, através do IPO de Coimbra ou do Hospital de Aveiro. E são totalmente gratuitas para quem as recebe.

Mas as mãos das costureiras do coração não fazem só almofadas. Há sacos para drenos, chinelos de quarto, sacos com sementes de trigo e alfazema - para aquecer no micro-ondas e ajudar nas dores musculares - e, mais recentemente, gorros para doentes oncológicos que tenham perdido o cabelo. "Dá-nos muito gosto fazer todas estas coisas. E torna-se uma boa forma para sairmos de casa, às vezes com muito custo", adianta também Emília Silva, 73 anos, outra das utentes. É que, no final, o convívio é muito importante. E entre linhas e tecidos fala-se e ri-se