As cidades mais caras para arrendar casa nas férias

As cidades mais caras para arrendar casa nas férias

Em Portugal, quatro das cinco cidades com alojamento de férias mais caros são algarvias. Agora que a Páscoa está à porta, o Holidu, um motor de buscas global para encontrar imóveis para as épocas de descanso, apresentou um estudo que mostra a variação de preços no país para a época alta deste ano. Apesar das perspetivas serem boas para todas as regiões, tudo indica que será o Norte quem vai levar a melhor no ranking das estadias desta temporada, com 80% de ocupação, contrastando com os 70% do Algarve.

De acordo com o Holidu, Quarteira e Albufeira estão no topo da lista das cidades portuguesas com os arrendamentos de casas mais caros. O preço médio por noite é de 180 euros, na época alta. Faro, Lagos e Cascais estão a seguir, com 161 euros, 151 euros e 144 euros, respetivamente, por noite. Já as cinco cidades mais baratas para passar estas férias de verão oferecem possibilidades de paisagens variadas. São Ponta Delgada, por 80 euros; Funchal, por quase 100 euros; Porto por aproximadamente 112 euros; Sesimbra, por pouco mais de 115 euros, e Tavira, por 130. Lisboa, Portimão e Porto Santo estão a meio da tabela, com valores que oscilam entre 132 e os quase 140 euros. Feitas as contas, uma estadia em Portugal custa em média 140 euros.

Os preços mais atrativos e as festividades ligadas à época da Páscoa marcam o início da alta temporada. E já se nota que os turistas começaram a chegar de malas e bagagens. Melhor, estima-se que venham com dinheiro para gastar. Por isso, os operadores turísticos, associações do setor e empresas hoteleiras estão com altas expectativas. Até porque a maioria daqueles que nos visitam, que são espanhóis e brasileiros, não vêm apenas para conhecer uma só cidade. E há ainda os movimentos migratórios internos.

Segundo o Observador Cetelem Páscoa 2018, "cada vez mais pessoas aproveitam o período da Páscoa para tirar férias. Seja para descansar, seja para passar tempo com as crianças ou em família, muitos portugueses tiram alguns dias de lazer neste período". Aliás, 47% dos inquiridos planeiam fazê-lo este ano e 39% têm intenções de viajar, mas dentro de portas. E é aqui que a Região Norte fica em destaque, ao ser, mais uma vez, um destino de excelência, para nacionais e para estrangeiros. "As taxas de ocupação rondam os 80%" e "considerando que este tipo de visitante não reserva com muita antecedência o alojamento, podemos pensar que a ocupação poderá ultrapassar os 90%", estima a Associação de Turismo do Porto e Norte.

Uma ocupação que não diz apenas respeito aos hotéis, mas também aos alojamentos locais, muito em voga. Apesar das resistências das plataformas que vivem do arrendamento de casas a turistas. E que têm espelho, por exemplo, nos recentes projetos de lei apresentados pelo PS, BE, PCP, CDS-PP e PAN. Que acabaram por dar origem a um grupo de trabalho, criado no âmbito da Comissão de Ambiente, Ordenamento do Território, Descentralização, Poder Local e Habitação, para fazer nova apreciação das propostas.

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Nas palavras de Luís Lima, presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal, a grande maioria das propostas em análise, que defende a obrigatoriedade de uma autorização por parte da assembleia dos condóminos para o exercício da atividade, representa "a morte do mercado de alojamento local", que se apresenta hoje como um dos principais responsáveis pela dinamização do setor imobiliário. "O país exibe diversas assimetrias. Hoje, este mercado concentra-se no Porto, em Lisboa e no Algarve, mas aos poucos começa a espalhar-se por outras regiões", refere Luís Lima, apontando o interior como exemplo onde "o alojamento local é a única solução que existe para os turistas, porque não há unidades hoteleiras que possam dar resposta à procura existente", garante.

O representante das imobiliárias vai mais longe. E diz que as propostas apresentadas pelos partidos "estão na iminência de dificultar, senão acabar definitivamente com este mercado, devido a alguns problemas que se têm registado em duas ou três freguesias de Lisboa ou uma ou duas freguesias do Porto". Pedro Coelho Martins, fundador da BmyGuest, está do mesmo lado da batalha. A sua plataforma já representa 20% das estadias portuguesas. Só no ano passado, a empresa faturou mais de um milhão de euros.

"O mercado tem vindo a crescer todos os anos, muito fruto da reabilitação urbana; investimento estrangeiro e o aumento do turismo nas nossas cidades, e também da qualidade da promoção do destino Portugal lá fora, investimento feito pelo Turismo de Portugal em diversos destinos", assegurou. O responsável admite que apesar do setor trabalhar com as duas épocas (alta e baixa), "cada vez mais, a sazonalidade vai-se notando menos". E fazendo referência à Páscoa e ao verão, comparativamente com o ano passado, admite que as estadias venham a crescer entre 50% e 60%.

No próximo domingo festeja-se a Páscoa. E para o turismo português as notícias são mais doces do que ovinhos ou as amêndoas de chocolate. Especialmente para a Região Norte, que deverá atingir uma taxa de ocupação dos alojamentos na ordem dos 80%, ficando até acima dos 70% previstos para o Algarve e para a serra da Estrela. Só no ano passado, a Região Norte contabilizou 374 mil hóspedes no mês de abril, sendo que os atuais indicadores revelam que "a procura assume uma tendência de crescimento". Os destinos mais procurados são o Porto e cidades ligadas ao turismo religioso, como Braga. Com o aproximar das festividades, já se nota que o Porto fervilha com turistas. Estima-se que as ruas da cidade se encham, tal como aconteceu no ano passado. Quem vem, além dos portugueses, são os espanhóis, os brasileiros e também os franceses, que se preparam para ficar, em média 2,5 dias.

Pablo Monteiro é um deles. O brasileiro tinha o sonho de visitar a terra do falecido avô, o Porto. Este ano, a família decidiu não adiar mais os planos e viajaram juntos para Portugal, aproveitando as férias da Páscoa. Ficam pelo Norte até hoje, depois rumam a Lisboa. Mas antes, visitaram Fátima e querem conhecer um pouco de Braga. É lá que vão aproveitar mais as festividades. "Aproveitamos para estar com uma prima que vive há seis anos na cidade. Ela falou-nos muito das celebrações da Páscoa. Não vamos conseguir assistir a tudo, porque ficamos só até ao Domingo de Ramos [hoje]. Mas, com toda a certeza que vamos querer ver, pelo menos a procissão [de hoje]", contou Erika. Daisy Catharina, a mãe, que tem dupla nacionalidade (brasileira e portuguesa) também está entusiasmada.

"Dizem que as celebrações são muito bonitas ". As ruas do centro da cidade de Braga já estão decoradas a rigor para receber a Semana Santa, há vários dias, mas os turistas interessados em assistir ao evento religioso só começam a chegar a partir de hoje. "A grande invasão" é esperada a partir da próxima quarta--feira, dia em que arrancam as principais procissões, explica Marco Sousa, responsável da delegação de Braga do Turismo do Porto e Norte de Portugal. "Entre quinta e sexta-feira já é difícil encontrar um quarto em Braga", adianta Marco Sousa, sublinhando que as cidades de Guimarães e Porto acabam por beneficiar desta explosão de turistas que chegam ao Minho, para ver, sobretudo, as procissões da "burrinha", "Ecce Homo" e "Enterro do Senhor".

O mercado espanhol já representa 60% do total de visitantes, seguindo-se portugueses, brasileiros, italianos, franceses e ingleses. "O estudo que foi apresentado, recentemente, diz que há cerca de 60 mil pessoas por procissão", contabiliza o responsável. Em média, os visitantes ficam entre dois e três dias alojados em Braga e gastam 98 euros, por dia. "É o maior evento em termos de turismo religioso a nível nacional, só superado pelo 13 de maio", conclui Marco Sousa.

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