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As muitas cores das frutarias de rua do Alto Minho

As muitas cores das frutarias de rua do Alto Minho

De Ponte de Lima a Caminha e Viana do Castelo, há estabelecimentos à moda antiga ou com toques contemporâneos, que alegram a vista (e o palato, se for o caso de comprar) de quem passa pelos núcleos urbanos destas localidades da região do Alto Minho.

Manuel Cerqueira e Clementina Carneiro já se habituaram a que as pessoas parem à porta do seu estabelecimento para tirar fotografias. O motivo é simples: as frutas coloridas, a forma como estão acomodadas e o aspeto alegre e vivo que dão à rua atraem o olhar e deliciam quem passa. A Mercearia Tradicional (que existe desde 1956), situada no n.o 20 da Rua do Souto, em Ponte de Lima, é um dos melhores exemplos de frutarias/mercearias que pelo Alto Minho alegram o espaço público.

Clementina e Manuel fazem questão de ter a fruta e, por vezes, flores à porta. "Acho bonito. Transmite vida e atividade nas ruas. Seja a fruta, seja outro tipo de artigos, para a rua é benéfico, porque transmite alegria, cor, trabalho e movimento", refere a proprietária. O marido completa: "Os olhos também comem. Quando temos um produto que é chamativo, bonito e tem um cheiro agradável, as pessoas acabam por ter a tentação de comprar".

O casal tomou conta da mercearia há cerca de 15 anos. Pertencia ao patrão de Manuel e apresentava alterações em relação ao que tinham sido os primórdios da casa. "Nos anos 70, mudaram as prateleiras para umas corridas, modernas à época, mas nós quisemos repor tudo o que era original. Na altura, estavam a chegar as grandes superfícies a Ponte de Lima e as pessoas acusaram-nos de sermos tolos", conta o proprietário, comentando que, além de mercearias, bacalhau e enchidos, a fruta "é um artigo forte". "As pessoas comentam a nossa porta sempre adornada e todos os dias tiram fotografias. Os estrangeiros ficam admirados. A nossa imagem é uma das coisas que nos definem", diz Manuel.

Nas ruas centrais de Ponte de Lima, há ainda, pelo menos, mais duas lojas com fruta a colorir a porta. Em Viana do Castelo, sempre que o tempo ajuda, proliferam. E mesmo quem não expõe na rua tem uma montra apelativa. É o caso da loja da Norbio na Avenida Afonso III (n.º32). As frutas e legumes de produção biológica são o maior atrativo. "O nosso forte são os frescos. Tentamos ter o máximo de oferta possível. Temos fruta e legumes da nossa produção e de colegas produtores da região, de Viana do Castelo e Barcelos", explica Luís Sobreiro, proprietário da casa com dois anos e meio, referindo que "a cor e variedade" no interior da loja são um chamariz para a clientela.

Os produtos estão expostos em pequenas cestas, por cores. Citrinos, desde a toranja, limão, lima, tangerina, clementina e laranja do Algarve, banana da Madeira, a rústica maçã "porta da loja", pera, kiwi, uva e abacate pintam um cenário que atrai o olhar, apetece fotografar e levar para casa. "A reação das pessoas é sempre muito positiva, pela maneira como expomos os produtos. É diferente, evitamos a apresentação de grandes quantidades e assim valorizamos o produto", salienta Luís, referindo que o conceito da loja é inspirado "na forma como em Espanha expõem os frescos". "Um dia destes estiveram cá uns clientes nossos que têm uma loja em Vigo e identificaram-se com a nossa loja, porque é parecida com a deles", disse.

Com um conceito de frutaria mais à portuguesa, com caixas de frutas e legumes à porta, vários estabelecimentos dão colorido à cidade de Viana. É procurá-las na Avenida Rocha Paris, Rua Mateus Barbosa ou em frente ao jardim D. Fernando, já bem perto do Campo d"Agonia. Em Caminha junto ao Terreiro, ou na Rua Conselheiro Dantas, há lojas que enchem os olhos de quem passa.

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