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Barcelona aperta o cerco a veículos poluentes

Barcelona aperta o cerco a veículos poluentes

A cidade espanhola de Barcelona estreou no segundo dia do ano a Zona de Baixas Emissões (ZBE), que restringe a circulação a veículos poluentes nos dias úteis numa área de cerca de 95 quilómetros quadrados. O objetivo é desmotivar os utilizadores de automóvel, transferindo-os para os transportes públicos, para poupar o ambiente.

A medida visa proteger o ambiente e afeta diretamente 85 mil carros e 30 mil motos, cujos proprietários são agora forçados a encontrar alternativas para entrarem no coração da cidade condal. Ainda assim, a rede de transportes públicos não foi reforçada.

É a maior ZBE do Sul da Europa e, segundo as estimativas da Autoridade Metropolitana de Transportes (ATM), deverá implicar uma transferência 170 mil viagens para o transporte público.

Aquela entidade desvaloriza porém as críticas à falta de reforço da rede de transportes públicos e garante que as melhorias introduzidas nos últimos anos - novas linhas de autocarros expresso interurbanas, estações de metro 9 e 10 e a extensão da linha Sabadell da Generalitat Railways, uma das mais saturadas na hora de ponta - já prepararam o transporte público para assumir as tais 170 mil viagens diárias adicionais.

Mas, apesar da anunciada mais-valia ambiental da redução de emissões poluentes, a medida não deixa de causar polémica, sobretudo entre os proprietários de viaturas mais antigas utilizadas para fins profissionais, que agora estão impedidas de entrar na cidade. O diário "El País" conta mesmo o caso de um homem que teve de comprar um veículo por 1500 euros para poder continuar a trabalhar.

O mesmo testemunho considera que a criação da ZBE "está pensada só para as pessoas que vivem em Barcelona. "E que fazemos nós, que vimos de 15 em 15 dias descarregar mercadorias e vamos embora?", questiona.

O objetivo da ZBE é reduzir a poluição e, assim, melhorar a saúde pública. "Não é uma medida contra ninguém, mas a favor da população e no espaço das gerações futuras", sustenta Ada Colau, presidente da Câmara de Barcelona, referindo-se às 350 mortes prematuras por ano como resultado da baixa qualidade do ar, segundo dados da Agência de Saúde Pública de Barcelona (ASPB).

Apesar de ter entrado em vigor a 2 de janeiro, até abril não serão passadas multas

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