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Bicicletas na Póvoa à medida da aventura

Bicicletas na Póvoa à medida da aventura

Turisbike aluga bicicletas, faz transporte de bagagens e "táxi bike". Os peregrinos de Santiago de Compostela são a grande aposta. Os estrangeiros são os principais clientes - até da Patagónia já veio um pedido - mas já há alguns portugueses a interessarem-se pelo projeto.

E quem quer ir a Santiago de Compostela de bicicleta, mas não a tem? E quando chegar lá, como vem embora? Foi para dar resposta a estas perguntas que Rui Cardoso criou a Turisbike. Ali, na pequena loja à face na EN13, à entrada da Póvoa de Varzim, há bicicletas à medida da aventura, aluguer de transporte bagagens ou de equipamento e ciclistas (táxi bike).

"A primeira vez que fiz o caminho foi há 20 anos. A minha ligação ficou. A paixão pelas bicicletas vem de longe. Abri a "Recicleta" há cinco anos. Queria ter uma coisa minha e mudar de vida, mas ter preços competitivos no mercado das bicicletas é difícil e as reparações não dão para viver. A Turisbike juntou esse gosto e veio colmatar uma falha que senti, numa vertente mais de turismo", explicou, ao JN, Rui Barbosa, o manager da empresa.

Os primeiros clientes foram 21 irlandeses. Alugaram as bicicletas, o transporte de bagagens e o apoio logístico entre o Porto e Santiago de Compostela. Rui acompanhou-os toda a viagem. À chegada a Santiago, tinham a carrinha e o atrelado à espera. Trouxe passageiros e bicicletas de volta. "Foi um sucesso", diz.

"É um transporte direto. Um ciclista que faça o Caminho, depois só consegue regressar de comboio e tem de fazer transbordo. Já para não falar que cada vagão só pode trazer duas bicicletas e, se o grupo for grande, tem de vir em comboios diferentes", explica.

Quem escolhe a Turisbike, raramente acha caro: "Por exemplo, para um casal, o aluguer de bicicletas por cinco dias, toda equipada com os alforges, e ir buscá-los a Santiago, são 400 euros". Só o "táxi bike", são 190.

Ali, há bicicletas de cidade com cestinho à frente para passeios mais descontraídos, híbridas, de montanha para os mais radicais, de estrada para quem gosta de distâncias mais longas no asfalto, tandem (de dois lugares) e até elétricas. Marcas nacionais, que apoiam o projeto.

O "pacote" é feito "à medida do cliente": "Há quem nos contacte só para transporte de bagagens, quem opte por fazer uma ou duas etapas do Caminho de bicicleta, porque já está muito cansado de andar e quem queira mesmo fazer a viagem toda", explica.

O cliente-tipo, continua a contar, é, sobretudo, estrangeiro: brasileiros, irlandeses, espanhóis e ingleses, mas os portugueses "já começam a aparecer" e grupos de amigos e clubes já contratam o transporte de ciclistas e bicicletas para treinos ou passeios