Conversas grátis saltam das ruas de Barcelona para a Internet

Conversas grátis saltam das ruas de Barcelona para a Internet

A pandemia de Covid-19 impediu-o de continuar com as suas "conversas grátis", em que falava com terceiros na sua banca improvisada sob o Arco do Triunfo, em Barcelona, Adrià Ballester criou uma plataforma para pôr gente de todo o Mundo em contacto.

Inconformado por não poder sair à rua e continuar a promover as suas "conversas grátis", sob o Arco de Triunfo, em Barcelona, devido ao estado de emergência decretado em Espanha, em consequência da Covid-19, Adrià Ballester, 26 anos, avançou para um projeto que possibilita a pessoas de todo o Mundo desabafarem sobre os seus problemas, ou simplesmente falarem com desconhecidos, para combater a solidão. No fundo, trata-se de transportar para a rede a filosofia da sua iniciativa que decorria até à pandemia.

Lucas Gil Cantón, um voluntário que colabora com o movimento, fez a página e assim nasceu a "Random PenPals", disponível em "https://randompenpals.com". O utilizador só tem de inscrever o seu e-mail, o seu país e escolher entre inglês e espanhol como idioma. Depois, de qualquer parte do Mundo, poderá receber um e-mail de um desconhecido para estabelecer conversas. "Eu senti a falta das pessoas que vinham ter comigo contarem coisas das suas vidas. Por outro lado, também sei que, devido ao que estamos a viver, há muita gente a sentir-se só nas cidades", explica ao JN Urbano o fundador do "The Free Conversations Movement".

O êxito imediato surpreendeu Adrià Ballester, que, confessa, no início achava que iria apenas juntar umas dezenas de pessoas. "Já temos muito mais de 2000 de inscritos, de 53 países", revela.

Em tempos de confinamento, esta foi a forma encontrada para dar continuidade ao projeto que iniciou há mais de dois anos, quando, com duas cadeiras, uma mesa e um cartaz onde se lia "Free conversations", passou a sentar-se, uma vez por semana, sob o Arco do Triunfo, à espera que desconhecidos chegassem para falar sobre qualquer tema que lhes ocorra.

Ao JN Urbano, Adrià Ballester recorda que, nos últimos dias, em que esteve na rua, no início de março, os diálogos já incidiam muito "sobre o coronavírus e os perigos que aí vinham". Daí surgiu a ideia do "Random PenPals". "As pessoas sentem-se mais confortadas se tiverem alguém que, mesmo que não conheçam, as ouçam ou leiam, que contem as suas experiências. É o lado humano, sem barreiras, a funcionar", conclui.

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