Marcos

Das máquinas de costura a museu e incubadora

Das máquinas de costura a museu e incubadora

As suas máquinas de costura ainda perduram no imaginário e na casa de muitos portugueses. Era uma das maiores fábricas do país, chegou a empregar mais de três mil trabalhadores. A icónica Oliva, de S. João da Madeira, encerrou definitivamente em 2010, 85 anos depois da sua criação, mas o seu edifício continua vivo: com startups, um museu ou um núcleo de arte.

A torre com o relógio era conhecida em Portugal inteiro. A Oliva dava emprego a milhares e era uma cidade dentro da cidade. Ocupava 90 000 metros quadrados, até havia estafetas no interior. Na hora de saída e entrada, contam os antigos, pareciam formigas. Trabalhar lá era um privilégio ou não fosse uma das mais inovadoras firmas à época.

Tinha cantina, médico em permanência, organizava colónias de férias e oferecia manuais escolares e prendas de Natal aos filhos dos trabalhadores, havia prémios de asseio, grupo de teatro, orfeão, atividades desportivas. A maioria dos operários ia trabalhar de bicicleta: havia um parque de estacionamento só para elas.

Em 2010, depois de anos conturbados, a Oliva encerrou. Tanto o edifício da Torre da Oliva, datado dos anos 50, como o das oficinas da chamada Zona 2, construído nos anos 60, foram adquiridos pela Autarquia por quase 2,6 milhões de euros. Inspirados pela inovação que a Oliva trouxe à cidade, os edifícios foram recuperados.

No primeiro, nasceu o Welcome Center do pioneiro Turismo Industrial, o Núcleo Histórico da Oliva e ainda o Museu do Calçado, que retrata a memória da indústria mais proeminente em S. João da Madeira. No segundo, funciona a Oliva Creative Factory - incubadora de indústrias criativas -, o Núcleo de Arte, uma escola de dança, uma cafetaria e a antiga Sala dos Fornos - mantém o nome - dá espaço a eventos.