Desconfinar na ecopista de um paraíso junto ao Minho

Desconfinar na ecopista de um paraíso junto ao Minho

Os passeios e treinos ao ar livre, em bicicleta ou a pé, voltaram ao corredor verde que se estende ao longo da margem portuguesa do rio entre Caminha e Monção. O percurso feito de sol e sombra, e belas paisagens verdes, reabriu após dois meses encerrado e já se vê movimento. Só faltam os espanhóis.

Serve de caminho para os campos agrícolas que a rodeiam, de pista para caminhada, corrida, treinos, percursos de bicicleta, skate, patins e afins. E até para, em dias de sol quente, abrigar um piquenique improvisado sob as copas das árvores.

A ecopista do rio Minho reabriu há dias, após quase dois meses encerrada, como medida complementar ao confinamento obrigatório por cauda da pandemia de covid-19. E os seus utilizadores habituais voltaram a percorrê-la, ainda com mais gosto. Mas a atividade ao longo do percurso não atingiu ainda a sua plenitude. Com as fronteiras ainda fechadas, faltam os espanhóis por estas bandas.

"Sente-se a falta deles. Há alturas que se veem mais espanhóis que portugueses. Eu até diria que a ecopista é quase mais espanhola que portuguesa", brinca António Monteiro, um estudante de Gestão Empresarial da Escola Superior de Ciências Empresariais (ESCE) de Valença, que uma destas manhãs percorreu na sua bicicleta cerca de 100 quilómetros. Uma parte dos quais pela ecopista. "Costumo fazer este percurso (Valença-Monção) bastantes vezes. Gosto das paisagens. É bonito e libertador", diz.

A "via verde", que se estende pela margem lusa do Minho, é feita de sol e sombra. Tanto atravessa "túneis" refrescantes formados pelas copas das árvores, que a ladeia, como entra em retas a descoberto, que no calor fazem os corpos ansiarem pela frescura. Mas são mais as zonas abrigadas pelo verde do arvoredo e das rochas, forrados a musgo e trepadeiras. Onde pululam borboletas, se ouve o zumbido de abelhas e a quietude é rompida pelo toque dos sinos ao longe nas aldeias.

"Nós vivemos num paraíso. Temos o privilégio de morar numa zona magnífica", comenta António Prazeres de S. Pedro da Torre, Valença, que, numa das primeiras saídas de desconfinamento percorreu de bicicleta, juntamente com o casal amigo, Augusto e Alexandra Bouça, de Campos, Vila Nova de Cerveira, uma boa parte da ecopista até Monção. Ida e volta, fizeram aproximadamente 50 quilómetros. Foi a primeira vez que, após o confinamento, voltaram à pista, por eles bem conhecida, e a ausência de espanhóis, notou-se. "O uso da campainha é menor agora. Passamos por algumas pessoas a andar a pé e de bicicleta, mas poucas", assinalou Prazeres.

O corredor ecológico estava encerrado desde 27 de março. Reabriu na última segunda-feira.

Luís Soares, residente em Valença, sentiu-lhe a falta. Gosta de fazer a pé o percurso de cerca de 3,5 quilómetros, entre a sua casa e um campo agrícola que possui junto à ecopista. Aproveita a via para "fazer exercício". "Isto é um caminho para quem anda a pé nesta zona. Em vez de se ir pela estrada nacional, passa-se por aqui para ir às propriedades e às compras ao supermercado (há um Lidl junto ao início da pista)", conta, referindo que, com a pandemia, atravessar aquele troço "estava proibido".

O primeiro troço da Ecopista do Rio Minho, entre o apeadeiro de Cortes, em Monção, e a ponte seca, em Valença, foi inaugurado em novembro de 2004, merecendo, desde o início, rasgados elogios e aplausos por parte dos utilizadores daquele trajeto verde.

Com os anos, a Ecopista foi ampliada nos dois concelhos e prolongada a Vila Nova de Cerveira, apresentando um conjunto de atributos e motivos de interesse que fazem desta via ecológica, a primeira em Portugal a aproveitar linhas férreas desativadas, uma referência para quem gosta de praticar desporto em comunhão com a natureza

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