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Eficácia da Proteção Civil preocupa estrangeiros

Eficácia da Proteção Civil preocupa estrangeiros

Criada há seis anos, a Associação Safe Communities ajuda a esclarecer dúvidas e a formar quem escolhe viver em Portugal. Líder admite que é um "grande desafio" traduzir as leis portuguesas.

Os graves incêndios do ano passado aumentaram consideravelmente as dúvidas dos estrangeiros residentes em Portugal sobre como funciona a Proteção Civil e como agir em caso de catástrofes. A conclusão é da Safe Communities (Comunidades Seguras), criada no sul do país por vários estrangeiros que se fixaram por cá, e que se dedica a fornecer informações de segurança interna - por email, telefone ou através da página de Facebook - a conterrâneos em vários pontos do país.

As regras para a limpeza e criação das faixas livres de mato, cujo prazo acabava no final de março de 2018, foi um dos maiores motivos para as perguntas recebidas na primeira metade do ano.

Desde janeiro até agora, cerca de 60% das 1500 questões colocadas à Safe Communities - respondidas por uma equipa de cerca de 30 voluntários - estiveram relacionadas com a ação da Proteção Civil, adiantou, ao JN, o britânico David Thomas, presidente da associação, que se mudou para Portugal há 13 anos [ler perfil].

Distinguido pela rainha

"Sobre o tema da Proteção Civil, recebemos muitas perguntas e não apenas de estrangeiros. As leis, por exemplo, da gestão das faixas de combustível podem ser complicadas de entender, até mesmo para o cidadão português", referiu o responsável, que vive no distrito de Faro. "Um grande desafio foi, e é, explicar isso tudo, em língua inglesa às várias comunidades".

Apesar da atividade intensa da Safe Communities desde a sua criação, há seis anos, esta aumentou consideravelmente no ano passado, principalmente logo após os incêndios de Pedrógão Grande. E o mesmo voltou a sentir-se este ano com o fogo de Monchique.

"Nessas situações, as perguntas mais frequentes foram: "é seguro viajar? Onde está o fogo? Há cortes de estrada? Moro no exterior - conseguem saber se há algum dano no meu terreno?", explicou David Thomas, que recebeu uma distinção da monarca britânica, Isabel II, em 2016, por serviços prestados às comunidades britânica e internacional em Portugal.

Porto é próximo destino

Criada no Algarve, em novembro de 2012, a Safe Communities começou por ter como objetivo a prevenção do crime junto dos cidadãos estrangeiros residentes no país.

Segundo Thomas, o formato da associação não tinha nada de pioneiro: "Em muitos países, é normal que as associações de moradores trabalhem em estreita colaboração com a Polícia na forma de policiamento comunitário e esquemas de vigilância da vizinhança".

Após o arranque, a associação rapidamente avançou para a disponibilização de informação sobre Proteção Civil e segurança cibernética.

"Nos últimos seis anos, o ritmo de trabalho é muito considerável. Se inicialmente nos concentrámos no Algarve, mais recentemente avançámos para Madeira e Costa da Prata. Esperamos chegar agora ao Porto", contou Thomas.

A viver apenas de doações, vários organismos do Estado fizeram protocolos com a associação (num total de 10), a maioria com o Ministério da Administração Interna (MAI), através da Autoridade Nacional da Proteção Civil.

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