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Escoteiros são como guardiões invisíveis das cidades

Escoteiros são como guardiões invisíveis das cidades

Habitualmente vistos de mochila e saco-cama às costas, a caminhar, ordenadamente, em fila, para serras e praias fora dos centros urbanos, os escoteiros são normalmente associados à proteção da Natureza apenas nestes espaços naturais. Mas, como o JN constatou, também na cidade desenvolvem a sua atividade centrada na entreajuda, na organização e no auxílio ao próximo. Muitas vezes de forma quase invisível, mas com objetivos bem definidos.

Beatriz Sança, 20 anos, do Grupo 7 - cuja inauguração da nova sede o JN acompanhou - dá vários exemplos da utilidade dos escoteiros num grande centro urbano: "Há sempre pessoas idosas a precisar da nossa ajuda, mas também colaboramos com outras associações como a Re food, por exemplo".

Sónia Jesus é a "Àquêlà", o nome dado à chefe da "Alcateia" - grupo que integra os jovens entre os sete e os 10 anos - já leva mais de duas décadas a colaborar com o Grupo 7. Recorda que, quando começou, em 1991, "ainda não havia raparigas nos escoteiros. Fundou então a patrulha "leão", a primeira a contar com elementos do sexo feminino.

Aos 21 anos, acabou por deixar o escotismo, mas a vida acabaria por trazê-la de novo à atividade, por via dos filhos. "Trouxe o meu mais novo quando ele tinha seis anos e adorou a experiência. "Depois, começamos na rotina de os trazer e levar e, de repente, estamos metidos nisto outra vez", conta.

E é com base na sua longa experiência que não tem dúvidas da importância dos escoteiros nas cidades, onde também há muita natureza para proteger. "Nós fazemos a diferença. Por exemplo, quando há pessoas que andam a passear os cães, mas fazem vista grossa às necessidades dos animais. Parece que é o cão que anda a passear o dono. Aí, vamos lá nós e apanhamos do chão aquilo que outros não fizeram. O mesmo acontece com o lixo", sublinha

A "Àquêlà" - é só por esta designação que os seus membros da Alcateia a tratam - considera que é este espírito trabalhado com as crianças que as torna diferentes. "O sentimento de partilha e de pensar primeiro nos outros no que neles mesmo faz com que cresçam com valores e se tornem adultos diferentes" observa.

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Para testemunhar esta forma de estar na vida das cidades, o JN acompanhou um dos momentos mais relevantes dos 105 anos de história do Grupo 7 dos Escoteiros de Lisboa: a inauguração da nova sede, depois de vários anos aquartelados num recanto dos Bombeiros Voluntários Lisbonenses e com uma arrecadação a funcionar numa antiga casa de banho subterrânea. "Chamávamos-lhe a "sede urinol"", recorda Sónia Jesus.

O novo espaço, disponibilizado pela Junte de Freguesia de Santo António (JFSA), foi totalmente recuperado pelos elementos do grupo e oferece condições de grande conforto e versatilidade. E os resultados não se fizeram esperar. "De 60 elementos passámos para 110", observa Paulo Franco, ou o "Urso Vermelho", como é conhecido o chefe de clã.

Para Vasco Morgado, presidente da JFSA, esta foi uma "ótima maneira de colaborar com um grupo de referência na intervenção social da freguesia, disponibilizando um espaço que estava fechado desde 2005".

Como exemplo da intervenção, o autarca destaca a participação dos jovens na limpeza de grafítos, de um lago e de uma associação cultural, só no dia da inauguração da nova sede.

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