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"Há muito Porto a descobrir dentro da literatura"

"Há muito Porto a descobrir dentro da literatura"

Pode uma cidade encaixar todos os cenários que a leitura de um livro permite? Para dois professores, o Porto pode. Seja qual for a obra e sejam quais forem os autores, há sempre lugares da Invicta que são a imagem perfeita de um romance. A prova está no Instagram e chama-se Literacidades.

Um livro, uma cidade, uma fotografia, um cenário. O livro pode ser qualquer um, a cidade é (quase) sempre o Porto, a fotografia a de um cenário onde que a leitura do livro em questão possa sugerir. Este é o conceito principal do projeto Literacidades, que ganhou estatuto de sucesso na rede social Instagram.

O burburinho da ideia começou a geminar em Álvaro Curia e Ludgero Cardoso, os criadores do Literacidades, vai para um ano. Leitores implacáveis, quase abnegados devotos da literatura, alimentam a página ao ritmo do amor imenso que nutrem pelos livros. "Foi depois de uma viagem que fizemos ao Brasil. Pensámos como seria possível encaixar as nossas leituras no contexto do Porto. Porque dentro do Porto existem 1001 cidades e é sempre possível dar largas à imaginação", contam Álvaro, 41 anos e professor universitário, e Ludgero, 28 anos e docente do primeiro e segundo ciclo.

Curiosamente, é do Brasil que chegam muito dos mais de 2300 seguidores do Literacidades, cuja página pode, também, ser visitada no Facebook. "São muito curiosos em relação aos livros de autores portugueses", justificam os mentores. De Portugal, além do Porto, há maioria de visitantes provenientes de Lisboa e de Coimbra.

Seja qual for a origem, quem entrar no Literacidades mergulha num conjunto de imagens que mostra um livro que cobre dois terços de um rosto - "o mais importante é a literatura, não somos nós" -, e um local específico do Porto. Esse local não é escolhido ao acaso por Álvaro Curia e Ludgero Cardoso, é antes um lugar para onde cada um dos livros por eles lidos os transportou durante a leitura.

"Não tem que se tratar, necessariamente, de um autor português. Seja qual for a nacionalidade do escritor e a história em causa, há sempre uma ideia que remete para o Porto", diz Álvaro. "O Porto, para mais, tem várias facetas. Pode ser uma cidade clássica e, simultaneamente, ultramoderna", completa Ludgero.

Prova disso mesmo são os múltiplos cenários escolhidos. Desde a Baixa ao Parque de São Roque, do Paço Episcopal da Sé ao Silo-Auto, do Museu Militar ao Bairro do Herculano (uma das imensas ilhas da cidade), da Estação de São Bento à Capela das Almas. Setenta esboços de pedaços de letras que o Porto esconde, exemplos de imagens que traduzem viagens literárias. E que não ficam por aqui.

"Ainda há muito Porto para explorar dentro da literatura", garantem Álvaro Curia e Ludgero Cardoso, numa quase promessa de que o Literacidades tem bastante perna para andar daqui em diante. Porque a tarefa de chamar leitores, esse território que se tem perdido quase sem retorno aparente, não é utópica. "O grande objetivo do Literacidades passa precisamente por aí, por devolver as pessoas aos livros, por fazê-las apaixonarem-se novamente por um infinito de histórias que têm tanto para oferecer e prender", explicam.

Agora que 2020 ´dá os primeiros passos, o Literacidades promete aventurar-se noutros âmbitos. Como o bookcrossing, livros que são deixados em lugares ao acaso e que podem recolhidos por quem passa, com a promessa de que quem os levar tem que deixar um outro nesse mesmo local. "É uma ideia interessante que pretendemos colocar em prática, quem sabe se em breve", deixam no ar Álvaro e Ludgero. Que planeiam, também, mostrar o Literacidades na poderosa Feira Literária Internacional de Paraty, no Brasil, também este ano. Uma forma de tentar que o Literacidades chegue a um público ainda mais abrangente.

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