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A Europa nas telas dos jovens pintores da Póvoa de Varzim

A Europa nas telas dos jovens pintores da Póvoa de Varzim

Na "Praça dos Pintores", na Póvoa de Varzim, juntam-se para deixar imagens sobre a Europa, no meio de uma biblioteca, com o mar como pano de fundo. São 40, dos 14 aos 30 anos. O intercâmbio cultural repete-se há 25 anos e conta sempre com a participação de jovens vindos da cidade alemã de Eschborn.

David homenageou Konrad Adenauer, o visionário chanceler alemão que, nos anos 50, já sonhava com uma Europa livre e unida. Ao lado, Bruno pinta o Arco do Triunfo, a Torre de Pisa, o Galo de Barcelos. No quadro da Marta há fotografias das capitais europeias e, no de Ana, uma menina a segurar o símbolo da Europa, como se de um balão se tratasse. Elisabeth usou o seu lixo no quadro, ao lado de uma tartaruga que definha, num "grito de alerta" para os problemas ambientais. A ideia repete-se, todos os anos, há um quarto de século: 40 jovens dos 14 aos 30 anos juntam-se na "Praça dos Pintores", na Póvoa de Varzim, com o mar como pano de fundo, ao longo de um dia inteiro, a pintar sobre a Europa. Uns trazem ideias de casa, outros deixam-se ir, "ao sabor da pena". O povo passa, olha, comenta, dá ideias. É a arte na rua.

"É muito bom. Fazemos novas amizades, vemos o trabalho e as técnicas dos outros e convivemos com a malta que vem do estrangeiro", explica David Rafael, 22 anos, aluno de design industrial. No centro do Diana Bar, com o chão forrado a jornais, há tintas de todas as cores. Em volta, nas telas pousadas em cavaletes nascem desenhos coloridos, ao ritmo da imaginação. O espaço é aberto. As pessoas vão entrando, apreciando os trabalhos, dando uma ou outra "achega".

Em 2018, David pintou Amália e um xaile colorido. O tema era o património. Venceu. Este ano, decidiu pesquisar um pouco. Konrad Adenauer fê-lo decidir-se: "Levou a Alemanha a juntar-se à NATO, foi um grande opositor ao nazismo e um dos pioneiros da União Europeia", conta David.

Marta está ali ao lado. Pinta a Torre dos Descobrimentos, a Pirâmide do Louvre. "É muito bom para "abrir os horizontes" e vamos sempre enriquecendo os trabalhos com as ideias dos outros", diz a estudante, que participou, este ano, pela terceira vez.

"É o meu lixo. Eu sou responsável por ele. Os plásticos no oceano são um problema grave", explica Elisabeth Hristova. A jovem alemã, de ascendência búlgara, foi uma das quatro que vieram de Eschborn. A pequena cidade, junto a Frankfurt, é geminada com a Póvoa. O intercâmbio entre jovens sempre esteve na génese da "Praça dos Pintores", por isso mesmo, a delegação de Eschborn volta todos os anos. Gerhard Raiss é o diretor do museu da cidade. Há 15 anos que acompanha o grupo. "A arte não precisa de língua. Eles têm a mesma paixão e entendem-se através dela", afirma, sorrindo.

Ana Raquel sonha viajar pela Europa. Por isso mesmo, transformou-lhe o símbolo num balão. A menina que o segura podia ser ela. O concurso poveiro é "um dia de experiências" e "ter o privilégio de pintar a ver o mar é fantástico".

A "Praça dos Pintores" começou, em 1995, pela mão da Associação de Amizade Póvoa de Varzim/Cidades Geminadas, no jardim do Passeio Alegre. Hoje, nas fotos dessa época, há nomes como André Chiote, à época jovem pintor com 15 anos, hoje arquiteto e ilustrador de 40.

"A ideia era estimular a criatividade, a liberdade de pensamento e a cidadania", explica Francisco Casanova, que fez parte da organização e preside, agora, há 19 anos, à Associação. O grande mote é sempre a Europa. 25 anos depois, com distâncias encurtadas e a emigração a ser o destino de muitos, o intercâmbio cultural e a reflexão sobre a Europa, frisa, "faz ainda mais sentido". Os trabalhos estão, agora, até 14 de junho, em exposição no Diana Bar