A pegada das autocaravanas nas cidades

A pegada das autocaravanas nas cidades

São cada vez mais e já há muito deixaram de ser vistas apenas junto à orla costeira. Nos últimos anos, as autocaravanas estão a conquistar as cidades e o aumento destes veículos em Portugal é notório.

Visíveis são, também, os vários espaços que se destinam a servir os apaixonados pelo turismo itinerante. Contudo, se muitos fazem questão de estacionar nos locais próprios, outros ficam onde calha. Mas todos deixam uma pegada, que pode ser mais ou menos benéfica para as cidades que os acolhem. Faro é a cidade onde há mais parques. No Porto, há 10 áreas de serviço e em Bragança são nove. Há, ainda, cinco áreas de serviço em autoestrada, em Beja, Castelo Branco, Évora, Leiria e Santarém. Lisboa, Setúbal e Leiria também têm uma boa oferta.

A família Rodriguez, do Uruguai, estacionou, há alguns dias, a autocaravana em Lisboa, onde Daniel e Alicia ficaram com os filhos, Alejandro e Santiago, durante quatro noites. "Ficámos mesmo no centro da cidade e fomos visitar, também, alguns lugares das redondezas", contou Daniel, explicando que quando viajam fazem questão de ficar a conhecer "os pratos típicos das cidades", contribuindo, dessa forma, para a restauração local. Depois dos passeios pela capital e por Sintra, a família rumou ao Norte. E foi no cais do Cavaco, em Gaia, que decidiu estacionar a autocaravana. Um "lugar agradável e com uma vista muito bonita para o Douro", mas que não é oficialmente destinado a este tipo de viaturas. Apesar de ser um dos sítios com maior procura, a verdade é que, ao contrário das áreas de serviço de autocaravanas, conhecidas como ASAS, o cais do Cavaco não tem as condições necessárias para receber este tipo de veículos.

Ainda assim, Manuel Bragança, presidente da Federação Portuguesa de Autocaravanistas (FPA), garante que "Portugal tem inúmeros parques de estacionamento e áreas de serviço para as autocaravanas". Locais onde se pode fazer a descarga das águas sanitárias e a limpeza das cassetes químicas. O presidente da Federação diz que essa descarga deve ser feita "de dois em dois dias" e lembra que "nem sempre as áreas de serviço ficam perto dos grandes centros urbanos ou das superfícies comerciais". Contudo, "o mais importante é que estes locais fiquem próximos dos transportes públicos", completa, acrescentando que "o desejado é que os autocaravanistas possam deixar o veículo estacionado" e seguir, "de metro ou de autocarro", para as zonas mais citadinas. Onde, quase sempre, deixam uma pegada positiva. É o caso, por exemplo, da Área de Serviço de Rio Tinto, Gondomar, junto à estação de metro da Venda Nova. "Quando param numa cidade, os autocaravanistas gostam de visitar os sítios e monumentos, aproveitam para ir almoçar nos restaurantes locais e também para conviver com os habitantes de lá", revela Manuel Bragança. Assim, "se forem cumpridas as regras", a passagem destes turistas é, de facto, "vantajosa para os municípios". Mas, por mais correta que seja a sua atitude, há uma pegada que é impossível não deixar: a pegada ecológica que advém de se tratar de veículos movidos a combustível diesel.

Paulo Rosa conhece bem os relatos dos autocaravanistas. Isto porque muitos são aqueles que recorrem ao portal CampingCar. Apesar de não ser uma entidade oficial, esta é uma plataforma muito procurada pelos viajantes, que "procuram aquilo que todos os turistas querem conhecer", explica, referindo-se à gastronomia e ao património. Na sua opinião, "Portugal está muito diferente do que era há 10 anos" e é no sul do país que a sua presença é mais evidente.

"No final do verão, quando todos os outros vão embora, é quando chegam os autocaravanistas ao Algarve, que é um destino de eleição no inverno", adianta, garantindo que, por esta altura, "as áreas de serviço estão lotadas". Tal como o presidente da Federação, Paulo Rosa salienta que "havendo todas as condições e cumprindo-se com as regras de bom senso", a passagem dos autocaravanistas estrangeiros pelas cidades portuguesas é positiva. Principalmente "porque é um tipo de turismo que contraria o sazonalismo", fazendo com que as cidades se mantenham em movimento, também, nos meses mais frios. Um impacto benéfico que, nos últimos anos, tem sido aproveitado nas grandes cidades europeias. "Em países como Espanha e França, por exemplo, as cidades já estão completamente adaptadas para servir os autocaravanistas. E o aumento dessas condições acaba por ser um bom chamariz", diz Paulo Rosa, acrescentando que "para os franceses Portugal é, de facto, um destino de eleição".

Segundo Manuel Bragança, "o turismo itinerante é caro" e há "uma média de seis a oito mil autocaravanas registadas em Portugal". Os municípios continuam a apostar na criação de infraestruturas e na sensibilização. "É muito importante que se cumpram as normas. Isso implica, por exemplo, saber que num parque de estacionamento não se pode fazer campismo", conclui

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