Companhia Ilimitada

Repair Café: transformar o velho em novo em comunidade

Desde ferros de engomar a torradeiras: tudo ou quase tudo é candidatável a este conceito de reparações em comunidade, no Porto

Conceito vai dando os primeiros passos em Portugal. A ideia é consertar em conjunto produtos que tinham o lixo como destino. Próxima edição acontece no Porto, já este sábado, dia 15.

É já dia 15, no próximo sábado, que o Porto vai acolher mais uma edição do Repair Café, iniciativa que pretende combater o desperdício, evitar a acumulação de resíduos e, sobretudo, ressuscitar peças e materiais aparentemente sem vida útil previsível. O cenário será o OPO"Lab, na Rua D. João IV, entre as 15 e as 18 horas. Depois de experiência mais recente, em junho, durante o encontro "Cidade +", nos Jardins do Palácio de Cristal, e de encontros com periodicidade bimestral desde há cerca de um ano, o conceito parece ter vindo para ficar. Com origem na Holanda, aqueles que também são apelidados de Cafés Conserto juntam quem tenha em casa algo que necessite reparação e quem esteja disponível (e saiba) repará-lo. Transformar o velho e inútil em quase novo, portanto. Gratuitamente e em comunidade. "Tem aparecido de tudo: bicicletas, batedeiras, torradeiras, ferros de engomar, candeeiros, até joalharia ou roupa. A única condição para quem participa é que o material que traz é passível de ser transportado", descreve Ana Coelho, coorganizadora do Repair Café do Porto.

"As reparações não têm qualquer custo. Servem como forma de repensar os objetos em questão e dar-lhes nova vida", acrescenta. A ideia de Repair Café vai dando também os primeiros passos em Lisboa. A partir do próximo ano terá casa fixa no Hub Criativo do Beato. Até lá, tal como no Porto, vão sendo realizadas várias iniciativas para que a cidade se familiarize com o projeto. As sessões, de periodicidade mensal, têm decorrido no Forno do Tijolo e juntado entusiastas em cada vez maior número.

"É uma rede que a Câmara pretende expandir e, assim, contribuir para a redução de resíduos através do prolongamento dos materiais. Em conformidade, aliás, com o compromisso europeu assumido por Lisboa", explica Vítor Vieira, diretor municipal da autarquia lisboeta. Os Repair Café surgiram em Amesterdão no ano de 2009. Rapidamente se espalharam a dezenas de cidades na Holanda e a outros pontos na Europa, Estados Unidos da América e Austrália. Como definem os entusiastas do projeto, "são eventos públicos em que objetos envelhecidos ou acidentados encontram o caminho que merecem". Além das reparações ditas mais convencionais, têm sido experimentadas outras abordagens nos processos de reaproveitamento dos materiais. Em iniciativas Repair Café realizadas fora de Portugal foi tentada, por exemplo, a utilização de impressoras 3D para fabricar peças vitais destinadas a materiais sem futuro aparente.