Sociedade Civil

Um frigorífico no meio de S. João da Madeira para quem precisa

Iolanda Santos e Joana Correia, mentoras do frigorífico solidário de S. João da Madeira

Foto Artur Machado / Global Imagens

Projeto social pretende envolver comunidade. Quem quiser pode deixar comida.

Está acessível a toda a gente e qualquer pessoa lá pode pôr comida, para que quem precise possa tirar. O Frigorífico Solidário não é um conceito novo, mas há poucos a nível nacional. Vai estar instalado, em S. João da Madeira, no Centro Coordenador de Transportes, dentro de pouco tempo. É um projeto que acredita na consciencialização da comunidade.

"Uma senhora que tinha um restaurante decidiu instalar à porta um frigorífico onde punha as sobras do dia, para que quem precisasse pudesse lá ir buscar durante a noite", conta Joana Correia, do Centro Humanitário da Cruz Vermelha de S. João da Madeira. O caso aconteceu na Índia e, hoje, o frigorífico solidário é uma prática comum pelo Mundo fora, principalmente nos Estados Unidos. Por cá, existe na freguesia do Muro, na Trofa, e em Alcântara, Lisboa. A ideia de trazer o conceito para S. João da Madeira foi de Joana Correia, diretora do Centro Humanitário, e de Iolanda Santos, assistente social, mas quem o vai pôr em prática é a Junta de Freguesia, por ter sido um dos projetos vencedores do Orçamento Participativo.

"Fomos visitar a freguesia do Muro e estranhamos ter lá um frigorífico por não haver controlo. Pensamos: então e as pessoas não tiram? E percebemos aí que se trata também de educar a sociedade", explica Joana. Quiseram replicar a boa prática, que nem sequer sai cara. Para avançar, basta comprar um frigorífico e fixá-lo ao chão ou parede para evitar roubos. E a ideia, segundo Joana, é chegar, a pessoas carenciadas, principalmente aos sem-abrigo. "S. João da Madeira é o segundo concelho de Aveiro com mais sem-abrigo identificados. Temos a ideia de que esta é uma cidade rica, mas há muita pobreza. Está escondida e isto serve para colmatar a vergonha de recorrer às instituições". Iolanda explica que "normalmente os alimentos são dados a famílias identificadas pelas suas carências, mas neste projeto não vai haver qualquer avaliação". É num espírito de corresponsabilização entre a comunidade e quem mais precisa que vai funcionar. Daí que digam ser uma ideia ousada e que pode mudar mentalidades. "Se temos uns iogurtes em casa a passar do prazo, podemos deixar no frigorífico, por exemplo. E se não precisamos, não vamos tirar", diz Joana. A Dona Frigo, como se chama, vai ficar no Centro Coordenador de Transportes, um sítio de passagem, no centro da cidade, com acesso também durante a noite.