Associação da Trofa faz a ponte entre o campo e a cidade

Associação da Trofa faz a ponte entre o campo e a cidade

O lema "No Coronado e tudo à volta" assenta como uma luva à APVC-Associação para a Proteção do Vale do Coronado, que, além da defesa de um ambiente sustentável, se bate pelo ecletismo na organização de eventos diversificados e alternativos e pela conquista de públicos variados, desde a comunidade local às gentes mais urbanas que a rodeiam.

Zona abençoada por áreas verdes e terrenos férteis, o Coronado - vila do concelho da Trofa que agrega as antigas freguesias de S. Mamede e S. Romão do Coronado - é um pequeno pulmão no meio das cidades ao seu redor, como a Maia e a Trofa. Com o Porto igualmente a poucos minutos, a APVC é quase uma ponte entre os dois mundos. "É mostrar a ruralidade às pessoas da cidade e mostrar aos nossos o que há de bom nas cidades", resume Filipa Cardoso, um dos rostos dos voluntários que dinamizam a associação.

É também sob esse desígnio que desde 2014 a APVC organiza a anual Zurra - Festa do Burro, o evento com maior projeção e envergadura. "Às vezes, as pessoas perguntam: essa não é a associação dos burros? Tudo por causa da Zurra", sorri Ricardo Silva, outro voluntário. E se a adesão ao evento começou por ser de "gente de fora", agora já contam com uma maior participação da comunidade local. As atividades do certame, essas, são para todos e para todas as idades: desde música alternativa às artes plásticas - com exposições, por exemplo, de esculturas dos conterrâneos Alberto Carneiro e Manuel Dias, entre outros artistas -, passando por palestras, peças de teatro, oficinas de fotografia, ioga, caminhadas com burros e atividades lúdico-pedagógicas para crianças. A par do que sucedeu no ano passado, com uma parceria com a galeria de arte portuense Cruzes Canhoto, um dos objetivos é encontrar parceiros para as várias atividades e eventos, revela Vítor Sá.

E porque a ecologia é uma das bandeiras da associação, o convite para participar na Zurra apela sempre à prática da mobilidade sustentável - sejam deslocações em bicicleta, metro ou comboio -, ou não estivesse a génese da APVC, criada em maio de 2007, ligada à defesa do ambiente. Tudo começou com "uma luta de David contra Golias", na contestação à implantação da plataforma logística Maia/Trofa, que esteve prevista para "uma área de Reserva Agrícola Nacional e que iria ocupar 160 hectares", recorda Vítor Sá, um dos fundadores da APVC.

Neste ano, a estreia do programa de atividades será na tarde deste sábado, dia 12, no salão paroquial de S. Mamede, com "jogos de tabuleiro para miúdos e graúdos"