Sociedade Civil

Associação de Santo Tirso recupera festas do rio

Associação de Santo Tirso recupera festas do rio

É num pequeno "paraíso" na cidade, ao correr do tímido leito do rio Sanguinhedo, que uma associação cumpre a missão - nem sempre fácil - de organizar as festas homónimas, uma tradição do lugar da Ponte Velha, em Santo Tirso, resgatada ao esquecimento em 1992.

Retomar as festividades que se realizaram entre as décadas de 1950 e 1970 haveria de levar um grupo de locais a fundar a Associação Amigos do Sanguinhedo, em 1993. E com desígnios mais amplos, como a "ocupação de tempos livres de jovens e idosos" da comunidade, aponta António Ventura, recém-empossado presidente pelo terceiro mandato consecutivo. Mais tarde surgiriam as secções dos veículos clássicos e dos gaiteiros, que promovem as respetivas atividades e estão instaladas nos dois moinhos entretanto recuperados pela associação, que também limpou o rio. Mas a reabilitação do património rural em torno das margens do Sanguinhedo não se ficou por aí: além do espaço da sede, instalada na antiga casa do caseiro da Quinta de Geão, a associação ainda restaurou e ampliou a pequena casa granítica onde se guardavam os animais, e, hoje, a antiga "corte da mula" - no exterior, uma placa em ferro com a inscrição faz jus ao passado - está pronta a servir uma nova função. "Queremos rentabilizar este espaço. Talvez com um bar", avança António Ventura.

Para já, é o bar que funciona todos os dias na sede, logo abaixo das instalações da GNR, que gera grande parte das receitas necessárias para a realização das Festas do Sanguinhedo, em meados de cada ano. Mas ali também se servem almoços e, garante o dirigente dos Amigos do Sanguinhedo, com "comida muito boa".

Além da organização das festas, que incluem a tradicional cascata animada, montada sobre o rio com milhares de peças, a coletividade debate-se com outro desafio: a captação de jovens. "É preciso malta nova. Os corpos sociais estão envelhecidos, assim como os próprios sócios que frequentam as instalações, e precisamos de sangue novo. Temos de pensar no futuro", lembra António Ventura.

E se a possibilidade de organizar festas e jantares no espaço da sede não for suficiente para atrair os mais novos, há um novo argumento de peso: "Temos uma equipa de futsal, e está a lutar para ser campeã", atalha o responsável, enquanto olha em redor e aponta gansos e patos bravos que desfilam pelo rio. "Aqui, estamos num paraíso. Isto é tão bonito!". Entretanto, almeja-se uma ligação ao parque de Geão, que, atualmente, está a ser construído.