Café de intelectuais é agora biblioteca na Póvoa de Varzim

Café de intelectuais é agora biblioteca na Póvoa de Varzim

As obras começaram em 1938. O Diana Bar haveria de abrir portas dois anos depois. O edifício de grandes janelas, virado para o mar, demasiado vanguardista para a época, depressa conquistou poveiros e forasteiros. Por ali passaram legiões de estudantes e um bom punhado de figuras marcantes do século XX. Para escrever, conversar, estudar ou ler um livro a ver o mar, passou a ser a referência para escritores e intelectuais.

José Régio tinha o seu "cantinho" reservado, junto a uma janela. Ali, entre uma xícara de café e um cigarro, terão sido escritas muitas das suas obras. Manoel de Oliveira e Agustina Bessa-Luís eram assíduos. E, com João Marques, Régio conversava ali, muitas vezes, longas horas, sobre arte, metafísica, literatura e política. Ficaram célebres, por ali, as tertúlias literárias.

Com a morte do fundador, o Diana entrou em decadência e acabou por fechar na década de 90. Em 2001, a Câmara chamou a si o restauro do edifício. Manteve-lhe a traça, a cor rosa, o nome, a ligação às letras. Abriria portas como biblioteca.

Hoje, à esquerda, Régio olha quem entra. Ali, ficou a sua mesa, a sua cadeira e uma lápide em sua homenagem. Ao centro, o chão imita a calçada portuguesa. Há estantes de livros, jornais e revistas. A toda a volta, há mesas e, a um canto, um espaço para as crianças. No piso superior, há uma espécie de varanda a toda a volta do edifício com computadores e acesso à Internet. Hoje, como nos anos 40, a vista sobre o mar continua a conquistar novos e velhos.

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