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Casas de luxo perdem batalha da privacidade

Casas de luxo perdem batalha da privacidade

Juiz nega razão a moradores de condomínio de luxo, que exigem o fecho de galeria de arte londrina, alegando que os visitantes fazem fotos abusivas das suas casas a partir dali.

Um juiz britânico rejeitou, na última semana, a pretensão de um grupo de moradores de um condomínio de luxo em Londres, construído em paredes de vidro, que exigia o encerramento de um terraço no 10.º andar da galeria de arte Tate Modern. Na queixa, alegavam que os visitantes invadem diariamente a sua privacidade, ao fotografarem e filmarem constantemente o interior dos seus apartamentos.

Os residentes no luxuoso complexo Neo Bankside alegam que, dada a transparência das suas casas, são "constantemente vigiados" e obrigados a andar sempre "vestidos adequadamente". Um dos testemunhos, citados pelo jornal "The Guardian", revela que, enquanto trabalhava na mesa da sala, contou 84 pessoas a tirar fotos à sua casa em 90 minutos. Alexander MacFyden vive no Bloco C daquele complexo habitacional, a apenas 34 metros da galeria Tate Modern, que recebe cerca de 600 mil visitantes por ano.

Uma outra vizinha conta que visitou a galeria, onde terá escutado comentários que diziam que os moradores do Bloco C "mereciam perder a privacidade" porque eram "bastardos ricos". Já o marido garante que encontrou "muitas fotos" da sua casa publicadas por desconhecidos nas redes sociais.

Estes argumentos não convenceram, porém, o juiz que apreciou a queixa. Este justificou a recusa, alegando que as casas deste condomínio "são impressionantes e, sem dúvida, há grandes vantagens em poder desfrutar de vistas tão amplas" sobre a cidade. Acrescentou, no entanto, que isso "tem um preço em termos de privacidade". Lembrou ainda que foram os próprios autores da queixa a escolher "morar em apartamentos com janelas do chão ao teto".

Já a direção da Tate Modern congratulou-se pela decisão e referiu que os moradores podem resolver o problema, "colocando persianas ou cortinas".

No plano oposto, a defesa dos moradores lamentou a decisão e destacou que as famílias terão de "continuar a viver com essa invasão diária da sua privacidade".

A Tate Modern foi inaugurada em 2000 numa antiga fábrica na margem sul do rio Tamisa.

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