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Cidade turca tem mais de 300 castelos-fantasmas

Cidade turca tem mais de 300 castelos-fantasmas

A crise imobiliária travou as vendas num complexo de palácios ao estilo das histórias encantadas da Disney, na cidade de Mudurnu, a meio caminho entre Istambul e Ancara, no Oeste da Turquia. O empreendimento de luxo está ao abandono.

Filmado a partir de um drone, faz lembrar um cenário de um filme da Disney. São centenas de moradias com varandas brancas e tetos pontiagudos, nos arredores de Mudurnu, na Turquia. Cinco anos após o lançamento do projeto, que previa a construção de 732 moradias, apenas cerca de 300 foram concluídas na totalidade e a maioria está ao abandono, por falta de compradores.

Burj al Babas, o empreendimento de luxo pensado como "um conto de fadas", que visava sobretudo compradores ricos da região do Golfo, tornou-se, no ano passado, num pesadelo para o promotor, a empresa Sarot. Como centenas de outras empresas turcas, sofreu um duro revés económico e pediu para ser colocada sob o regime de falência.

O grupo Sarot acabou sufocado por dívidas quando os clientes não puderam pagar os empréstimos para as casas que haviam comprado, explicou o vice-presidente, Mezher Yerdelen, à AFP.

De resto, o enfraquecimento da lira turca deixou muitas empresas a lutar para pagar a dívida em moeda estrangeira, resultante de empréstimos para financiar projetos. A bolha da construção traduziu-se em arranha-céus por concluir e cidades-fantasmas em quase metade do país.

No caso concreto de Burj al Babas, das 732 residências planeadas, apenas 587 foram erguidas e menos de metade vendidas. Para agravar o cenário, algumas transações ainda foram canceladas, em resultado da queda dos preços do petróleo. A empresa agora tem 23 milhões de euros em dívida. Apesar da incerteza que se mantém à volta da economia turca, o grupo Sarot ainda espera que os investidores do Golfo, atraídos pela perspetiva de passaportes turcos, possam voltar e permitir assim a conclusão de Burj al Babas.

"Precisamos apenas de vender 100 moradias para saldar a nossa dívida", refere Mezher Yerdelen. "Acredito que podemos superar esta crise em quatro a cinco meses e inaugurar parcialmente o projeto em 2019", acrescenta. Inicialmente, o preço das casas variava entre os 350 mil e os 440 mil euros. Do plano, constava ainda a construção de um centro comercial e banhos turcos