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Cidades contra uso caótico de trotinetas

Cidades contra uso caótico de trotinetas

É a mais recente moda de transporte urbano, mas, a par do crescimento das empresas de partilha, rapidamente começaram a surgir duras críticas à forma como os pequenos veículos elétricos circulam nas ruas. Já houve acidentes mortais e várias urbes mundiais estão a restringir a utilização.

Atropelamentos em passeios, que já originaram acidentes graves, estacionamento desorganizado e conflitos com os peões devido à circulação desregulada em áreas pedonais, são algumas das situações que estão a originar uma revolta de habitantes de cidades de todo o Mundo contra a moda das trotinetas elétricas. A pressão da opinião pública, com as redes sociais à cabeça de todas críticas, obrigou já as autoridades políticas a intervirem, criando legislação para restringir ou mesmo banir a utilização destes aparelhos em certas zonas, sobretudo passeios. Em Lisboa - para já a única cidade em Portugal onde existe um sistema de partilha - já se ouvem críticas, mas não há registo de acidentes graves.

Madrid aprovou esta semana a legislação que põe fim à circulação de trotinetas em passeios, onde as mesmas também só podem ser estacionadas se deixarem três metros livres para os peões. Na semana anterior, tinha sido a ministra dos Transportes do Governo francês a anunciar medidas que proíbem a circulação das trotinetas nos passeios de Paris. "Não podemos deixar que esses aparelhos se movam de 20/30 quilómetros por hora e comprometer a segurança dos peões", argumentou Elisabeth Borne.

Apresentadas como um transporte "ecológico e de fácil utilização", as trotinetas elétricas partilhadas surgiram nos Estados Unidos e rapidamente chegaram à Europa. Mas foi também nas cidades americanas que começou a "revolta popular", sempre com o argumento da circulação desordenada e a ameaça aos peões, a par da desorganização no estacionamento.

Segundo o jornal "The Star Online", da Malásia, que cita fontes norte americanas, só no mês passado três pessoas morreram enquanto passeavam de trotinetas elétricas em Dallas, Cleveland e Washington DC.

Também nos Estados Unidos, nove pessoas que terão sido feridas por estes veículos avançaram com uma ação coletiva, a 19 de outubro, no Tribunal Superior de Los Angeles, em que acusam as startups Bird e Lime -, bem como fabricantes Xiaomi Corp e Segway Inc - de negligência grave, alegando que as empresas sabiam que os veículos "eram perigosos", mas "implementaram o sistema" na mesma.

O rápido crescimento do fenómeno das trotinetas elétricas, aliado ao serviço de partilhas, fizeram com que muitos países fossem apanhados de surpresa, devido ao vazio legal sobre este tipo de veículos. Tal não acontece, porém, em Portugal, onde o artigo 112 do Código da Estrada os equipara a velocípedes, o mesmo é dizer que não podem circular em passeios, mas apenas em estradas e ciclovias. É também obrigatório o uso de capacete.

Para já, Lisboa é a única cidade portuguesa onde há uma empresa de partilha de trotinetas a operar: a Lime. Tal como em outros países, os veículos não têm locais de recolha e estacionamento próprios, pelo que basta aceder à aplicação no smartphone para os recolher e abandonar onde calha, o que normalmente está na origem das queixas dos transeuntes. As trotinetas são recolhidas à noite pela empresa e distribuídas novo na manhã seguinte.

Marco Pau, CEO da Lime, explicou ao JN Urbano que, para evitar situações abusivas, são disponibilizadas aos utilizadores informações úteis sobre a utilização eficiente dos veículos. Existe ainda um sistema de pontos, que visa premiar os comportamentos corretos e penalizar os incorretos. A empresa pretende alargar o serviço a outras cidades, nomeadamente Porto, Braga, Aveiro e Coimbra.

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