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Contentores inteligentes trazem maior justiça tarifária

Contentores inteligentes trazem maior justiça tarifária

Mais do que implementar uma nova tecnologia "inteligente" no sistema de recolha de lixo, o que uma empresa acabada de mudar-se para Santo Tirso produz traduz-se numa revolução de mentalidades nos campos da reciclagem e da tarifação dos resíduos sólidos urbanos (RSU), permitindo que esta deixe de ser feita em função do consumo de água.

Há 25 anos dedicada à produção de contentores enterrados e semienterrados, a Sopsa, que em setembro saiu da Maia para sediar-se no Parque Empresarial da Ermida, em Santa Cristina do Couto, está a adaptar toda a gama de produtos ao sistema de tarifação PAYT - "Pay-as-you-throw" (paga pelo lixo que depositar), que, através de um cartão de acesso, permite à entidade que gere a recolha de RSU saber o número de utilizações e estimar, a partir de uma unidade volumétrica incorporada no contentor, a quantidade depositada por cada munícipe.

Trata-se de "tarifar os resíduos indiferenciados em função do que é produzido", explica o diretor-geral da Sopsa, Pedro Martins da Costa, lembrando que "uma pessoa pode gastar muita água e fazer pouco lixo".

"Estamos a desenvolver contentores de resíduos que estejam preparados para fazer essa tarifação", indica a diretora comercial da empresa. "Se as pessoas reciclarem os resíduos e os colocarem no ecoponto, não vão pagar por isso. Se reciclar mais, vai produzir menos indiferenciado. Como vai menos vezes ao contentor, pagará menos", pormenoriza Maria João Ferreira, referindo que existem capacidades variáveis para os contentores, de acordo com as necessidades dos municípios.

"Há uma maior justiça em relação ao que é tarifado, além de incentivar a reciclagem", salienta Pedro Martins da Costa, que começou a apostar na aplicação desta tecnologia aos contentores Lasso - a marca que a Sopsa produz - no início de 2013. O principal mercado da empresa é o de exportação, sendo o principal cliente a França, onde há cinco anos começou a instalar contentores "inteligentes", dotados da tecnologia que permite o sistema PAYT.

A utilização é simples, exemplifica o responsável: "O sistema só desbloqueia com o uso do cartão do munícipe, e apenas permite depositar um volume [numa cuba em inox que não possibilita o acesso ao interior do contentor] de cada vez. Depois, é enviada uma comunicação por radiofrequência para um servidor e o município tem acesso à informação de deposição do munícipe".

"É um sistema robusto, resistente a impactos e com uma duração de bateria de cerca de 10 anos", conclui o diretor

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