Sociedade Civil

Dar asas à imaginação e descobrir talentos

Dar asas à imaginação e descobrir talentos

Fotografia, música e expressão criativa é o menu reservado aos utentes da Cáritas Diocesana de Setúbal todas as terças, quartas e quintas feiras, desde há quatro anos. A atividade, que visa dar largas à imaginação e, quem sabe, descobrir um talento escondido, é promovida por docentes do Instituto Politécnico de Setúbal.

Cerca de 45 utentes da Cáritas, entre homens e mulheres, aderem aos projetos que, no caso da música, já os levou a atuar em Lisboa e no Hospital do Barreiro.

Ângela Morais, 52 anos, que pernoita na Cáritas até, como a própria diz, "possuir melhores condições financeiras", refere ao JN o que estes "workshops" já fizeram por si. "O meu sonho de infância era ser atriz, mas a vida não me proporcionou tal oportunidade", lamenta.

"Aqui posso explorar as minhas capacidades artísticas e posso dizer que já fiz uma plateia chorar", conta a utente que participa nas três atividades.

Ana Gaspar, psicóloga da Cáritas, dinamiza o projeto de Expressão Criativa. Sublinha que, para além da componente ocupacional deste workshop, são exploradas os "medos e pesadelos dos participantes que desta forma acabam por encontrar um apoio para desabafar e encontrar uma solução para eventuais problemas que tenham".

Os workshops começaram há quatro anos. O de fotografia é mais recente, de outubro do ano passado. Foi António Barreto Xavier, docente do Politécnico de Setúbal, responsável pela dinamização da vertente musical dos projetos, que convidou o colega Fernando Pinho a fotografar as iniciativas. Assim nasceu o projeto, como explica Fernando Pinho. "Em vez de ser eu a fotografar os utentes nos projetos, porque não colocar as máquinas fotográficas na mão deles e deixá-los dar azo à sua imaginação?" Ao apelo respondeu José Ferreira, 51 anos. "Sempre quis ser fotógrafo", explica ao JN. "Só que quando era mais novo, tive que tirar um curso de canalização porque o mundo da fotografia exigia dinheiro que eu não tinha".

José Ferreira viu o seu trabalho exposto numa grande mostra de trabalhos na Cáritas de Setúbal, durante a semana passada e demonstrou grande orgulho pelo trabalho feito.

Fernando Pinho considera que ainda há muito por fazer, uma vez que "o potencial dos utentes pode ainda ser mais explorado pela sociedade civil. "Queremos ter toda a sociedade civil integrada nestes projetos que trazem mais valias para os utentes da Cáritas", refere o docente do Politécnico.

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