Sociedade Civil

Eles querem levar o teatro amador a todo o lado

Eles querem levar o teatro amador a todo o lado

Grupo de amigos reativou o Teatro Aviscena, em Vila das Aves, e está à conquista de palcos e público. As ambições maiores passam por atrair outras pessoas para o grupo e concretizar a ambição de subir aos palcos do Theatro Circo, em Braga, ou da Casa das Artes, em Famalicão.

Da advocacia à engenharia, passando pela segurança, climatização ou redes de telecomunicações, todos têm percursos profissionais díspares mas um ponto em comum, para além da amizade que os une há anos: a paixão pelo teatro, despertada quando ainda eram adolescentes, a partir do projeto criado por um antigo professor da Escola Básica 2,3 de Vila das Aves, em Santo Tirso, em plenos anos 90.

A adolescência passou e vieram os compromissos da idade adulta, que levaram cada um por caminhos diferentes: sem outros para darem continuidade ao teatro impulsionado por Luís Américo Fernandes, então docente de Português e Francês, o grupo, que inicialmente fora batizado de Avicena - só mais tarde seria Aviscena -, extingue-se em 2004. Mas a paixão, essa, apenas arrefecera, e, em 2016, alguns dos jovens adolescentes da década de 90 voltam a reunir-se, entretanto já adultos - as idades situam-se entre os 35 e os 40 anos, sem que o tempo tenha conseguido diluir o espírito jovial, que cada um parece ter conservado à sua maneira -, e, de novo juntos, reativam o projeto.

Já na maioridade, e agora independente da escola que lhe serviu de berço, o Aviscena ressuscitava, e, em fevereiro de 2017 era formalmente constituída a Associação de Teatro Amador Aviscena. E não é que o grupo tenha deixado de "brincar", como costumam dizer os próprios, entre risos. Mas o lema é "dentro do brincar, fazer a sério", diz Cristina Ferreira, que acumula a representação com a presidência da coletividade. "Prezamos muito a qualidade", acrescentaria Yvonne Machado, que, além de atriz, preside ao Conselho Fiscal.

E levam o projeto tão a sério, que até já tiveram direito a piropos do calibre do tipo "não estávamos à espera de uma coisa tão profissional", como lhes fez notar o diretor do grupo Cem Cenas, recorda Yvonne. "Já ganhámos nome, e as pessoas estão sempre à espera que façamos alguma coisa mais acima", nota Cristiano Coelho, encenador do grupo e vice-presidente da associação, enquanto Rui Pinheiro, que assume a área técnica, observa: "É engraçado ver a rápida evolução na qualidade que este grupo teve em menos de três anos".

Atualmente em cena com a peça "O rei está a morrer" (uma "espécie de homenagem" ao antigo professor, Luís Américo, que é membro honorário da Direção e traduziu a obra do dramaturgo Ionesco), o maior desafio do Aviscena é atrair outras pessoas para o grupo, além de concretizar a ambição de subir aos palcos do Theatro Circo, em Braga, ou da Casa das Artes, em Famalicão